Startup quer carregar seu cérebro para a nuvem, mas tem que te matar para fazer isso

O fluxo sanguíneo para o cérebro será substituído por substâncias químicas de embalsação que preservam a estrutura neuronal, mesmo quando matam o paciente. Fotografia: Alfred Pasieka / Getty Images / Science Photo Library RF

Uma Startup dos EUA tem esperanças de carregar os cérebros dos clientes para a nuvem usando uma técnica pioneira que ele tem testado em coelhos.

A única complicação, de acordo com o cofundador da empresa: o processo é “100% fatal”.

Nectome, fundado em 2016 por um par de pesquisadores de Inteligência Artificial do MIT, espera oferecer uma aplicação comercial de um novo processo para a preservação dos cérebros, denominada “criopreservação estabilizada com aldeído”. O processo, que faz com que o cérebro seja “vitrificado” – o termo autodenominado da inicialização para essencialmente transformá-lo em vidro – é bastante promissor, ganhou dois prêmios da Fundação de Preservação Cerebral, por preservar o cérebro de um coelho em 2016 e um cérebro de porco em 2018.

O Executivo chefe de uma influente aceleradora de Startup, Y Combinator, Sam Altaman, conseguiu se tornar uma das 25 pessoas a pagar um deposito de U$10.000 para entrar na lista de espera da Nectome. “Eu suponho que meu cérebro será carregado na nuvem”, disse Altaman á MIT Technology Review (Revista publicado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts).

Mas há uma desvantagem bastante grande. Para que o processo de vitrificação preserve um cérebro bem o suficiente para deixar a esperança de um upload ou restabelecimento de funcionamento, ele deve ser realizado no momento da morte. Ou, mais precisamente, tem que ser a causa da morte: o sujeito / cliente / vítima tem o fluxo sanguíneo para o cérebro substituído pelos produtos químicos de embalsamamento que preservam a estrutura neuronal, mesmo quando matam o paciente.

Nectome acredita que seu serviço é legal em certos estados dos EUA com leis de eutanásia robustas, incluindo a Califórnia, onde os estatutos da “morte com dignidade” estão vigentes há dois anos. Mesmo assim, no entanto, não prevê o uso real de seus serviços até 2021.

A outra desvantagem do Nectome é que, em comum com a maioria dos negócios de criopreservação, a empresa não tem nenhum método real para reviver ou fazer o upload dos cérebros que armazena. Ele espera demonstrar uma simulação totalmente carregada de “uma rede neural biológica” em torno de 2024, de acordo com seu site. Não há prazos para fornecer um cérebro carregado com qualquer coisa que se aproxime da capacidade de interagir com o mundo exterior.

Você pode gostar também de ler: Céu Congelado: Como o processo/técnica de congelamento de corpos promete vida eterna, onde estima-se que já existem 200 pessoas que congelaram seus corpos após a morte, e outras 2000 cadastradas para passarem por isso (Informações de 2016, provavelmente esses números já aumentaram drasticamente). No site do Instituto de Criônica é possível ver números detalhados de membros do instituto, existem 2 brasileiros na lista.

Texto traduzido de:
https://www.theguardian.com/technology/2018/mar/14/nectome-startup-upload-brain-the-cloud-kill-you