Worm via USB espalha malware que rouba criptomoedas por atalhos do Windows
19 de Junho de 2026

Threat actors que miram carteiras de criptomoedas estão distribuindo malware de roubo de área de transferência com capacidade de autopropagação e usando a rede Tor para ocultar as comunicações.

A campanha está ativa, no mínimo, desde fevereiro, e se baseia em arquivos LNK, os atalhos do Windows, em unidades USB para disseminar um malware do tipo clipper.

Esse código malicioso monitora o conteúdo da área de transferência e substitui endereços de carteiras de criptomoedas por outros controlados pelo atacante.

Além disso, ele monitora seed phrases e chaves privadas e pode capturar screenshots, que são exfiltradas por meio da rede Tor.

Segundo a Microsoft, o processo de infecção começa quando a vítima abre o arquivo LNK, acionando o malware presente no USB.

Cargas úteis adicionais são baixadas de um endereço .ONION.

Uma varredura local procura arquivos de documento no sistema.

Quando esses arquivos são encontrados, o malware oculta os originais e os substitui por atalhos maliciosos com os mesmos nomes.

Com isso, o código malicioso é executado quando o usuário tenta abrir os documentos.

O worm cria uma tarefa agendada para monitorar a conexão de novos dispositivos USB.

Quando uma unidade removível é conectada, o malware se copia para o dispositivo e cria outros arquivos de atalho maliciosos.

O componente ladrão do malware é executado após verificar se o Gerenciador de Tarefas está inativo e estabelece comunicação com o host de comando e controle (C2) usando um executável da Tor, o ugate.exe.

A cada meio segundo, o malware verifica a área de transferência em busca dos seguintes dados:

- seed phrases BIP39 de 12 palavras
- seed phrases BIP39 de 24 palavras
- chaves privadas de Ethereum
- chaves WIF de Bitcoin
- endereços de carteiras Bitcoin nos formatos legacy, P2SH, Bech32 e Taproot
- endereços de carteiras Tron
- endereços de carteiras Monero

Os endereços visados são escolhidos com base nos dígitos ou caracteres iniciais para se parecerem, em parte, com os endereços das carteiras dos atacantes, reduzindo a chance de o usuário perceber a fraude rapidamente.

Além de monitorar a área de transferência, o malware também captura cinco screenshots da tela da vítima a cada dez segundos e as envia ao C2 usando a ferramenta curl.

De acordo com a Microsoft, há ainda suporte para execução remota de código, que pode ser disparada por uma instrução EVAL do C2.

Nesse caso, o malware baixa conteúdo JavaScript para um arquivo chamado cfile e o executa na máquina infectada.

Os pesquisadores afirmam que os indicadores mais fortes de infecção são comportamentais, e não baseados em assinatura.

Por isso, recomendam monitorar a atividade de processos no wscript.exe e no cscript.exe, execuções inesperadas de curl, PowerShell e cmd.exe, além de processos filhos incomuns.

Conexões com localhost:9050 e atividade de proxy da rede Tor também são sinais de alerta associados a essa campanha.

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