Usuários do Notepad++ no Brasil podem ter sido alvo de ataque cibernético da China
27 de Fevereiro de 2026

A infraestrutura responsável pela distribuição das atualizações do Notepad++ — editor de texto muito popular para Windows — ficou comprometida por seis meses devido a ataques de hackers supostamente ligados ao governo chinês.

Segundo os desenvolvedores, esses invasores usaram esse controle para enviar versões backdoor do aplicativo a alvos selecionados.

Em comunicado oficial divulgado nesta segunda-feira no site notepad-plus-plus.org, o autor pediu desculpas aos usuários afetados pela invasão.

O ataque teria começado em junho do ano passado, por meio de um comprometimento de infraestrutura que permitiu aos hackers interceptar e redirecionar o tráfego das atualizações destinadas ao site oficial.

As investigações indicam que os invasores, associados a atores estatais chineses, redirecionaram seletivamente as atualizações para servidores maliciosos, distribuindo versões modificadas do Notepad++.

O controle da infraestrutura foi retomado somente em dezembro.

Com o acesso obtido, os atacantes instalaram um payload até então desconhecido, batizado de Chrysalis.

A empresa de segurança Rapid7 classificou a ameaça como um “backdoor customizado e rico em funcionalidades”, destacando a sofisticação e a permanência da ferramenta — muito além de uma simples ameaça descartável.

De acordo com o Notepad++, o provedor responsável pela hospedagem da infraestrutura de atualizações permaneceu comprometido até 2 de setembro.

Mesmo após essa data, os invasores mantiveram credenciais para serviços internos até 2 de dezembro, possibilitando a continuidade do redirecionamento para servidores maliciosos.

O principal objetivo do grupo era explorar falhas nas verificações de integridade das atualizações presentes em versões antigas do Notepad++.

Logs indicam que, mesmo após a correção dessas vulnerabilidades, os hackers tentaram explorá-las novamente, sem sucesso.

O pesquisador independente Kevin Beaumont revelou que três organizações relataram incidentes relacionados a dispositivos com Notepad++ instalado, que foram alvo de ataques “hands-on keyboard” — ou seja, com hackers assumindo controle direto via interface web.

Segundo Beaumont, essas três entidades têm vínculos ou interesses na região da Ásia Oriental.

O pesquisador detectou que a versão 8.8.8 do Notepad++, lançada em meados de novembro, trouxe correções para reforçar o sistema de atualizações, o Notepad++ Updater (também conhecido como GUP ou WinGUP), contra sequestros e entregas de versões maliciosas.

O updater realiza requisições ao endereço https://notepad-plus-plus.org/update/getDownloadUrl.php para obter a URL do arquivo de atualização, que é baixado no diretório %TEMP% e executado.

Beaumont destacou que esse download pode ser redirecionado se o tráfego for interceptado, por exemplo, por um provedor de internet que realize TLS intercept, mesmo com o protocolo HTTPS.

Algumas versões antigas usavam certificados autoassinados (self-signed), o que fragiliza a verificação da integridade do download.

A partir da versão 8.8.7, o certificado foi alterado para um emitido pela GlobalSign, reforçando a segurança.

Como o tráfego para o domínio oficial é relativamente baixo, um ataque em grande escala exigiria muitos recursos, o que aponta para a capacidade avançada e motivação de atores estatais.

Beaumont publicou essa hipótese em dezembro, dois meses antes do comunicado oficial do Notepad++.

Agora, com informações adicionais, essa linha de investigação foi confirmada.

O pesquisador também alertou que mecanismos de busca estão saturados de anúncios que promovem versões trojanizadas do Notepad++, levando muitos usuários a executarem versões comprometidas dentro de suas redes.

Além disso, a proliferação de extensões maliciosas para o editor aumenta ainda mais o risco para os usuários.

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