Ucrânia fecha 94 call centers fraudulentos e apreende milhões em dinheiro
14 de Agosto de 2026

As autoridades da Ucrânia desativaram 94 centrais telefônicas fraudulentas em todo o país, usadas para atrair vítimas para golpes de investimento ou tentar obter acesso a contas bancárias.

A operação ocorreu nesta semana e envolveu 411 buscas realizadas por policiais após uma investigação conduzida pela Polícia Nacional, pelo Serviço de Segurança da Ucrânia, pelo Ministério Público-Geral e pela polícia alemã.

Segundo a polícia ucraniana, os fraudadores operavam diferentes esquemas para arrancar dinheiro das vítimas ou invadir suas contas bancárias.

Em alguns casos, se passavam por funcionários de banco e entravam em contato alegando haver transações suspeitas, ameaçando bloquear as contas caso a vítima não fizesse um pagamento.

Em outras abordagens, os criminosos convenciam as pessoas a solicitar empréstimos, informar dados de cartões de pagamento e instalar ferramentas de acesso remoto em celulares e computadores.

“Agentes da lei inspecionaram simultaneamente a infraestrutura de centrais telefônicas fraudulentas, cujos operadores se passavam por banqueiros, corretores e agentes da lei, atraíam pessoas para plataformas falsas de investimento e obtinham acesso às suas contas bancárias”, informou a polícia ucraniana em comunicado. “No total, foram realizadas 411 buscas, e as operações de 94 centrais telefônicas fraudulentas foram interrompidas.”

Durante as ações, a polícia encontrou e apreendeu os seguintes itens:

1.794 estações de trabalho totalmente equipadas
3.336 peças de equipamentos de informática
1.346 telefones
5.200 cartões SIM
90 cartões bancários
Ferramentas de acesso a 20 carteiras de criptomoedas
22 veículos
US$ 2 milhões, 64.000 euros e hryvnias ucranianas em dinheiro
1 quilo de ouro bancário em barras e joias

Além disso, 26 pessoas foram formalmente notificadas de que são suspeitas.

A polícia afirma que parte das centrais investigadas mirava cidadãos de outros países, especialmente da União Europeia, enganando-os com promessas de “investimento” em plataformas falsas de corretagem e com a instalação de software de acesso remoto em seus computadores.

Em outros casos, os operadores ligavam em nome de bancos e informavam às vítimas que supostas transações suspeitas haviam sido detectadas em suas contas e que os valores seriam bloqueados.

Algumas vítimas ainda eram convencidas a acreditar que receberiam ajuda para recuperar dinheiro já perdido em golpes, apenas para serem enganadas novamente.

De acordo com a polícia, algumas centrais também promoviam produtos como tratamentos médicos para diversas doenças, apesar de não haver qualquer propriedade medicinal real nesses itens.

As investigações mostraram que as centrais mantinham equipes dedicadas a identificar pessoas com interesse genuíno em investir.

Os envolvidos nesses esquemas podem responder por crimes previstos nos parágrafos 4 e 5 do Artigo 190 e no parágrafo 3 do Artigo 209 do Código Penal da Ucrânia, com penas de até 12 anos de prisão e confisco de bens.

A polícia realiza agora uma análise forense dos equipamentos apreendidos, o que deve ajudar a identificar as vítimas e dimensionar as perdas. A perícia também deve revelar provas para incriminar os organizadores do esquema, além de outros participantes da operação, como intermediários financeiros e lavadores de dinheiro.

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