A Ubiquiti lançou correções de segurança para três novas vulnerabilidades de gravidade máxima que agentes mal-intencionados podem explorar remotamente, sem necessidade de privilégios.
A primeira, identificada como CVE-2026-77537, permite que atacantes sem autenticação comprometam dispositivos sem patch ao explorar uma falha de validação inadequada de entrada na plataforma UniFi Protect Application, usada para gerenciamento de vigilância por vídeo.
A empresa também corrigiu uma falha de injeção CRLF, registrada como CVE-2026-77550, que pode ser explorada por atacantes remotos sem privilégios para burlar a autenticação em dispositivos ou instâncias UniFi OS.
“Um agente malicioso com acesso à rede poderia explorar uma vulnerabilidade de neutralização inadequada de sequências CRLF encontrada em determinados dispositivos que executam injeção CRLF para contornar a autenticação nesses dispositivos ou instâncias UniFi OS”, explicou a Ubiquiti.
A terceira vulnerabilidade de gravidade máxima corrigida hoje é uma falha de injeção de comando, CVE-2026-77554, causada por validação inadequada de entrada no sistema de telefonia VoIP UniFi Talk Application.
A empresa informou que as correções estão disponíveis nas versões UniFi Protect Application 7.2.105 ou posteriores, UniFi Talk Application 5.3.2 ou posteriores e UniFi OS Server 5.1.21 e anteriores.
Até o momento, a Ubiquiti não informou se alguma dessas vulnerabilidades foi explorada no mundo real antes da aplicação dos patches, mas afirmou que elas podem ser usadas em ataques de baixa complexidade, sem interação do usuário.
Na quinta-feira, a Ubiquiti corrigiu mais 18 problemas críticos de segurança que afetam uma ampla gama de produtos, incluindo o UniFi OS Server, a plataforma centralizada de gerenciamento de rede UniFi Network Application, o equipamento de edge computing UniFi Protect AI Key e uma grande variedade de roteadores, gateways, NAS e sistemas de vigilância da empresa.
A empresa de inteligência de ameaças Censys monitora agora mais de 100.000 instâncias do UniFi OS expostas na internet, mas não há detalhes sobre quantas são honeypots ou já foram protegidas contra essas falhas. No entanto, os dados da Censys também podem incluir resultados de varreduras históricas, o que nem sempre reflete com precisão o número de sistemas expostos à internet.
Nos últimos anos, grupos de hacking patrocinados por Estados e criminosos cibernéticos têm mirado com frequência produtos da Ubiquiti, usando esses dispositivos para montar grandes botnets que ajudavam a ocultar a atividade maliciosa dos threat actors.
Em fevereiro de 2024, por exemplo, o FBI desmantelou o Moobot, uma botnet formada por roteadores Ubiquiti Edge OS usada pela Diretoria Principal de Inteligência do Estado-Maior da Rússia, conhecida como GRU, para intermediar tráfego malicioso em ataques de ciberespionagem.
Mais recentemente, em junho, a CISA determinou que agências federais protegessem seus sistemas em até três dias contra outras três vulnerabilidades de gravidade máxima no UniFi OS, corrigidas um mês antes e que já estavam sendo exploradas ativamente no mundo real.
Como a empresa de cibersegurança Bishop Fox demonstrou depois, as falhas podiam ser encadeadas para viabilizar execução remota de código com privilégios elevados.
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