Trezor alerta para possível implante de hardware em carteira vendida pela CryptoBilis
30 de Outubro de 2026

Uma carteira física Trezor Safe 5 comprada do revendedor CryptoBilis tem uma placa de circuito adicional que transmite a frase de recuperação por uma rede móvel, segundo o relato de um cliente.

A Trezor ainda não examinou o dispositivo. A empresa recomenda que todas as pessoas que compraram uma carteira da CryptoBilis desde março de 2026 transfiram seus fundos para uma nova carteira, com uma nova frase de recuperação.

Em uma publicação no blog em 30 de outubro, a Trezor informou que recebeu o relato dois dias antes, de um cliente na Indonésia. Ele comprou a carteira em agosto, pela plataforma de comércio eletrônico Tokopedia.

Segundo o relato, a placa fica entre a placa principal da carteira e a tela. Ela contém um módulo de telefonia móvel e uma antena. O componente lê o conteúdo exibido na tela, inclusive a frase de recuperação, que a Trezor chama de backup da carteira, e a transmite sempre que o dispositivo é conectado.

A Trezor recebeu fotos e uma descrição do cliente, além de entrevistá-lo por videochamada. A empresa está providenciando o envio da carteira ao laboratório.

A Trezor considera o relato suficientemente plausível para alertar os compradores desde já. “Esperar a confirmação do laboratório deixaria, enquanto isso, os clientes da CryptoBilis expostos”, afirmou a empresa.

Nenhum cliente da CryptoBilis informou à Trezor ter perdido fundos. A empresa não consegue ver o que os clientes mantêm em suas carteiras. O cliente já havia transferido os fundos antes de encontrar a placa.

A recomendação da Trezor vale para todos os modelos comprados da CryptoBilis desde março de 2026, inclusive em lojas que venderam dispositivos fornecidos pela empresa e na loja da CryptoBilis na Tokopedia:

- Se você já usa a carteira, transfira seus fundos para uma nova carteira, com uma nova frase de recuperação, o mais rápido possível. Restaurar a frase antiga em outro dispositivo não resolve o problema, pois uma carteira adulterada pode já ter transmitido essa frase.
- Se não tiver outra carteira física segura, transfira temporariamente os fundos para uma carteira digital ou para uma corretora conhecida.
- Se ainda não configurou a carteira, não faça isso e nunca digite nela uma frase de recuperação que já esteja em uso.
- Guarde o dispositivo da CryptoBilis e entre em contato com o suporte da Trezor. A empresa enviará um novo dispositivo ou fornecerá um vale que cubra o custo de outro.
- Se não souber de onde veio o dispositivo, confira o nome do vendedor no comprovante ou fale com o suporte da Trezor.

Até 30 de outubro, a Trezor não havia recebido relatos envolvendo outros revendedores.

Segundo a empresa, os proprietários não conseguem verificar o dispositivo de maneira confiável por conta própria e não devem pesá-lo nem abri-lo para tentar identificar alterações. O cliente notou uma diferença de peso, mas pequenas variações podem ter outras causas.

A Trezor também espera que golpistas usem o caso para aplicar golpes de phishing por meio de e-mails, cartas e ligações falsas.

A Trezor encerrou a parceria com a CryptoBilis, revendedora autorizada no Sudeste Asiático, em 9 de outubro. A decisão ocorreu depois que a fabricante de carteiras físicas Ledger começou a investigar perdas entre clientes que haviam comprado dispositivos da CryptoBilis.

Posteriormente, a Ledger informou que a carteira de um dos clientes afetados continha um implante físico não autorizado, projetado para capturar a frase de recuperação durante a configuração.

De acordo com a Trezor, a placa relatada na Safe 5 parece funcionar de forma semelhante aos implantes encontrados em dispositivos da Ledger. A empresa não fará comparações enquanto as investigações estiverem em andamento, já que cada fabricante produz seus dispositivos de maneira diferente. A Trezor não sabe quem é o responsável.

**Alerta policial separado em Singapura**

A Força Policial de Singapura informou, em um alerta divulgado em 28 de outubro, que carteiras físicas da Ledger compradas em algumas lojas do país continham componentes de hardware maliciosos. Pelo menos dois casos foram registrados desde 10 de setembro.

Os componentes poderiam capturar frases de recuperação ou chaves privadas dos usuários. As investigações policiais continuam, e a Ledger está analisando os casos afetados.

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