Rússia acusa fundador do Telegram, Pavel Durov, de apoiar atividade terrorista
29 de Julho de 2026

O Serviço Federal de Segurança da Federação Russa, o FSB, informou nesta quarta-feira que apresentou acusações contra Pavel Durov, fundador do Telegram, por supostamente facilitar atividades terroristas e por não remover informações proibidas, em violação à legislação russa.

A principal agência de segurança afirmou que a plataforma de mensagens instantâneas “não removeu numerosos canais, chats e bots na plataforma que são ativamente usados por serviços especiais ucranianos e por organizações terroristas e extremistas para planejar e coordenar atos de sabotagem e terrorismo, assassinatos em massa e operações de fraude cibernética dentro da Federação Russa”.

Segundo o FSB, essas ações resultaram em diversas mortes, incluindo entre mulheres e crianças, além de danos significativos que somariam bilhões.

Durov foi acusado no âmbito de uma investigação criminal em andamento, com base na Parte 1.1 do Artigo 205.1 do Código Penal da Federação Russa, por auxiliar atividade terrorista.

Ele também foi incluído na lista internacional de procurados.

O FSB disse ainda ter identificado vários casos em que serviços especiais ucranianos usaram um chatbot do Telegram chamado “Daivinchik/Leo-Dating, Chatting, and New Friends” para recrutar cidadãos russos para atividades de sabotagem e terrorismo, por meio do que descreveu como engano e manipulação psicológica.

Em operações conjuntas com o Ministério do Interior e o Comitê Investigativo da Rússia, 46 cidadãos russos, com idades entre 12 e 22 anos, teriam sido detidos entre julho de 2025 e o momento atual.

Segundo a agência, essas pessoas realizaram ataques armados contra agentes da lei e praticaram incêndios criminosos contra infraestruturas de transporte, energia, comunicações e financeiras.

“Além disso, atuaram como mensageiros, transportando fundos obtidos de cidadãos enganados para pontos de troca de criptomoedas, com o objetivo de depósito em contas controladas pelo adversário”, afirmou a agência em comunicado.

A agência também acusou agentes da inteligência ucraniana de usar o serviço de encontros do Telegram “Daivinchik” para se passar por jovens mulheres e iniciar contato online com jovens russos.

Após estabelecerem relacionamentos amorosos, os homens supostamente enviavam a geolocalização de um local de encontro desejado, como um grande shopping center ou uma área próxima a uma instalação crítica, e pagavam ingressos de cinema, ingressos para shows ou presentes por meio de links de phishing compartilhados pelos agentes.

Na etapa seguinte, representantes dos serviços de inteligência ucranianos, se passando por autoridades policiais russas ou por funcionários da Rosfinmonitoring, o Serviço Federal de Monitoramento Financeiro, entrariam em contato com os homens por meio de aplicativos de mensagens estrangeiros.

“Esses impostores alegavam que os valores enviados pelos homens haviam ido parar nas contas das Forças Armadas da Ucrânia e que as coordenadas compartilhadas por eles estavam sendo usadas pelo inimigo para planejar ataques com mísseis e drones”, afirmou o FSB.

“Os cidadãos enganados e intimidados, incapazes de avaliar criticamente a situação devido à pressão psicológica, eram então coagidos, sob ameaça de processo criminal, a realizar ataques armados e atos de incêndio criminoso.

Essas ações eram apresentadas, de forma aparente, como verificações da segurança antiterrorista das instalações-alvo ou como participação em outras ‘atividades pseudoperacionais’.”

Em resposta, a conta oficial do Telegram no X publicou uma foto do fundador da plataforma fazendo um gesto obsceno com o dedo médio.

Durov, que vive em Dubai, ainda não comentou publicamente o caso.

As acusações surgem em meio à imposição de uma série de restrições ao Telegram na Rússia, incluindo a limitação do uso no início do ano e, depois, um bloqueio praticamente total em abril de 2026.

Há quase dois anos, Durov também foi preso e acusado na França por não conter atividades ilícitas na popular plataforma de mensagens.

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