Republicano controla infra eleitoral dos EUA
24 de Outubro de 2025

Na semana passada, a notícia da aquisição da Dominion Voting Systems por Scott Leiendecker, fundador e CEO da Knowink — empresa do Missouri especializada em electronic poll books — gerou dúvidas entre ativistas pela integridade eleitoral sobre o impacto dessa mudança para os eleitores e para a segurança das eleições nos Estados Unidos.

Leiendecker, ex-diretor de eleições e operador do Partido Republicano no Missouri antes de criar a Knowink, anunciou em comunicado que irá renomear a Dominion, cujas sedes ficam no Canadá e nos EUA, para Liberty Vote.

Segundo ele, essa é uma “ação ousada e histórica para transformar e melhorar a integridade das eleições na América”, além de afastar a empresa das falsas alegações feitas pelo ex-presidente Donald Trump e seus apoiadores, que acusavam a companhia de fraude na eleição presidencial de 2020 para favorecer Joe Biden.

O comunicado afirma que a Liberty Vote será 100% de propriedade americana, terá foco em paper ballots — cédulas de papel marcadas manualmente —, priorizará auditorias independentes por terceiros e se comprometerá com o desenvolvimento de software e a contratação de pessoal dentro do país.

No entanto, não foram divulgados detalhes mais precisos sobre a forma prática da implementação dessas mudanças.

A Dominion é a segunda maior fornecedora de máquinas de votação nos EUA, com sistemas usados em 27 estados, incluindo o estado da Geórgia em sua totalidade.

Seu software vem sendo desenvolvido há cerca de 20 anos no Canadá e em Belgrado, na Sérvia.

Uma busca no LinkedIn mostra que diversos programadores e profissionais na Sérvia trabalham para a empresa.

O comunicado da Liberty não esclarece se haverá reescrita do código desenvolvido por esses profissionais estrangeiros — o que envolveria modificar centenas de milhares de linhas —, nem se os desenvolvedores estrangeiros serão transferidos para os EUA ou substituídos por programadores americanos.

A Dominion mantém sua sede americana no Colorado.

Uma fonte da Liberty, que preferiu não se identificar, disse à revista WIRED que Leiendecker “está comprometido com 100% de contratação e desenvolvimento doméstico”.

Por outro lado, uma fonte não identificada revelou à CNN que a Liberty planeja manter operações no Canadá, onde suas máquinas são utilizadas em todo o país.

Philip Stark, professor de estatística da UC Berkeley e veterano defensor da integridade eleitoral, afirmou à WIRED que a garantia sobre o uso exclusivo de profissionais americanos é “uma cortina de fumaça”.

Segundo ele, “se a alegação é que isso aumenta a segurança, não é verdade, porque programadores baseados nos EUA também podem ter interesse em comprometer ou alterar a integridade das eleições”.

Sobre as auditorias independentes mencionadas no comunicado, um representante da Liberty disse à WIRED que a empresa pretende realizar uma “revisão externa, completa e independente do software e dos equipamentos da Dominion em tempo hábil”.

Além disso, garantirá colaboração próxima com agências federais e estaduais de certificação, reportando qualquer vulnerabilidade identificada para reforçar a confiança dos eleitores nas máquinas e nos resultados.

Ainda não foi informado quando essa revisão ocorrerá, mas um porta-voz da Liberty disse ao site Axios que ela será realizada antes das eleições intermediárias do próximo ano.

Segundo ele, a empresa está preparada para “reconstruir ou descontinuar” máquinas conforme necessário.

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