Plataforma logística dos EUA expõe dados de clientes a hackers
2 de Fevereiro de 2026

O roubo de cargas deixou de ser apenas uma questão de caminhões furtados e documentos falsificados.

Nos últimos meses, pesquisadores de segurança vêm alertando que hackers estão cada vez mais mirando as tecnologias que sustentam o comércio global, manipulando silenciosamente sistemas que movimentam mercadorias avaliadas em milhões de dólares.

Em alguns casos, grupos criminosos organizados invadem plataformas logísticas para redirecionar entregas, possibilitando furtos sem a necessidade de entrar em depósitos ou armazéns.

Um caso recente envolvendo um importante provedor de tecnologia para transporte dos EUA expõe vulnerabilidades na cadeia de suprimentos — e o tempo em que permaneceram sem detecção.

A empresa em questão é a Bluspark Global, sediada em Nova York.

Sua plataforma Bluvoyix é utilizada por centenas de companhias para gerenciar e rastrear fretes ao redor do mundo.

Embora pouco conhecida do público, a tecnologia da Bluspark suporta uma parcela significativa do comércio mundial, incluindo grandes varejistas, redes de supermercados e fabricantes.

Durante meses, os sistemas da Bluspark apresentaram falhas básicas de segurança que deixaram a plataforma acessível a qualquer pessoa pela internet.

A empresa confirmou a correção de cinco vulnerabilidades, entre elas o armazenamento de senhas em texto puro (plaintext) e o acesso remoto à Bluvoyix sem autenticação adequada.

Essas brechas poderiam permitir que invasores acessassem décadas de registros de fretes e dados de clientes.

Embora os problemas tenham sido resolvidos, o tempo levado para as correções levantar dúvidas sobre a exposição prolongada e a dificuldade de comunicar a empresa.

O pesquisador de segurança Eaton Zveare identificou as falhas em outubro ao analisar o site de um cliente da Bluspark.

O que começou como uma verificação rotineira de um formulário de contato revelou-se muito mais grave.

Ao examinar o código-fonte do site, Zveare percebeu que as mensagens do formulário passavam pelos servidores da Bluspark por meio de uma API (application programming interface) pública.

Essa API tinha documentação acessível e permitia testar comandos sem restrições.

Apesar de exigir autenticação, ela retornava informações sensíveis sem necessidade de login.

O pesquisador conseguiu extrair grandes volumes de dados, incluindo nomes de usuários e senhas armazenadas em texto claro, tanto de funcionários quanto de clientes.

Pior ainda, a API permitia a criação de contas administrativas sem qualquer validação, o que poderia dar a um invasor controle total da plataforma, com acesso a dados de fretes desde 2007.

Mecanismos de segurança, como tokens, foram completamente contornados.

Um dos aspectos mais preocupantes não foi apenas a gravidade das falhas, mas a demora para corrigi-las.

Zveare tentou durante semanas contatar a Bluspark por e-mail, mensagens de voz e LinkedIn, sem sucesso.

Sem um canal formal para divulgação responsável, ele recorreu à Maritime Hacking Village, organização que facilita a comunicação sobre vulnerabilidades na indústria marítima.

Quando isso também não funcionou, o pesquisador buscou a imprensa.

Somente após essa exposição pública, a empresa respondeu por meio de seus advogados, confirmando os reparos e anunciando planos para implementar um programa formal de divulgação de vulnerabilidades.

A Bluspark não informou sobre possíveis explorações das falhas, alegando ausência de indícios de impactos aos clientes, e também não detalhou suas práticas de segurança nem auditorias externas.

O caso revela como é fácil para hackers invadirem plataformas logísticas sem que as vítimas percebam o uso indevido de seus dados.

Para se proteger diante de ameaças semelhantes, é fundamental seguir algumas recomendações.

Após ataques à cadeia de suprimentos, criminosos costumam enviar e-mails ou mensagens de phishing simulando serem empresas de transporte, varejistas ou serviços de entrega.

Se receber uma mensagem que pressione para clicar em links ou confirmar informações de uma encomenda, a orientação é desacelerar e acessar diretamente o site oficial da empresa para verificar a veracidade.

Quando invasores obtêm acesso a bancos de dados de clientes, é comum tentarem os mesmos e-mails e senhas em sites de compras, e-mails e bancos.

Por isso, usar um password manager para garantir senhas únicas em cada conta é indispensável para limitar danos em caso de vazamento.

Também vale checar se seu e-mail já foi exposto em alguma brecha.

Ferramentas integradas em gestores de senha podem identificar se seus dados apareceram em vazamentos conhecidos.

Ao encontrar senhas repetidas nesses bancos de dados, altere-as imediatamente e fortaleça os acessos com credenciais exclusivas.

Criminosos costumam cruzar informações de várias fontes, combinando dados de vazamentos com perfis públicos em sites de corretores de dados.

Serviços especializados em remoção de informações pessoais ajudam a reduzir a exposição online, dificultando o trabalho dos golpistas.

Embora nenhum serviço garanta eliminar totalmente seus dados da internet, usar essas ferramentas é uma medida inteligente para reduzir riscos.

Eles monitoram centenas de sites e excluem seus dados sempre que possível — um custo que vale a proteção da privacidade.

Manter um antivírus atualizado também é uma barreira importante.

Programas robustos bloqueiam links maliciosos, páginas falsas de entrega e anexos infectados, comuns após vazamentos graves.

A proteção em tempo real ajuda a evitar que ataques aproveitem o caos gerado.

Além disso, ativar a autenticação de dois fatores (2FA) dificulta a ação dos invasores, mesmo quando a senha é descoberta.

Recomenda-se priorizar o 2FA para e-mails, contas de compras, armazenamento em nuvem e serviços que guardem informações de pagamento ou entregas.

Fique atento a sinais de roubo de identidade, como pedidos estranhos em suas contas de compras, alterações nos endereços de entrega ou métodos de pagamento desconhecidos.

Identificar esses sinais precocemente ajuda a evitar prejuízos maiores.

Além disso, serviços de proteção contra roubo de identidade podem monitorar seu CPF, telefone e e-mails, alertando caso esses dados apareçam à venda na dark web ou sejam usados indevidamente.

Eles também auxiliam na suspensão de cartões e bloqueio de contas bancárias para frear fraudes maiores.

Se seu nome, e-mail ou endereço foram vazados, considere solicitar congelamento de crédito nas principais instituições financeiras.

Esse bloqueio impede que criminosos abram novas contas em seu nome, mesmo que obtenham dados adicionais posteriormente.

O procedimento é gratuito, fácil de suspender temporariamente e uma das medidas mais eficazes após um vazamento.

Empresas que dependem de plataformas logísticas devem revisar os controles de acesso dos seus fornecedores.

Restringir permissões administrativas, trocar chaves de API regularmente e exigir que parceiros possuam processos claros para divulgação de vulnerabilidades são medidas essenciais.

A segurança da cadeia depende de todos os elos — não apenas do seu sistema.

Plataformas de transporte estão no cruzamento entre o mundo físico e o digital, tornando-se alvos atraentes para cibercriminosos.

A falta de proteções básicas, como autenticação segura e criptografia de senhas, pode gerar consequências reais, desde cargas roubadas até impactos na cadeia produtiva.

Esse incidente também evidenciou a lacuna no diálogo entre empresas e pesquisadores para reportar vulnerabilidades de forma responsável.

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Destaques para proteger você e seu negócio:

1. Desconfie de mensagens e avisos falsos relacionados a entregas.

2. Use password managers para criar senhas únicas e seguras.

3. Minimize seus dados pessoais expostos na internet.

4. Mantenha antivírus atualizados em todos os dispositivos.

5. Ative a autenticação de dois fatores sempre que possível.

6. Verifique regularmente suas contas e histórico de entregas.

7. Considere serviços de proteção contra roubo de identidade.

8. Solicite congelamento de crédito para evitar fraudes.

9. Reforce a segurança de suas contas de transporte e varejo.

10. Empresas devem controlar rigorosamente o acesso de terceiros.

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