Pesquisadores usam modelo público da OpenAI para criar exploit full-chain do Chrome avaliado em US$ 250 mil em seis dias
14 de Outubro de 2026

Uma equipe da empresa de segurança XBOW combinou três falhas até então desconhecidas no Google Chrome em um único ataque capaz de executar código em um computador com Windows quando o usuário apenas acessa uma página da web, informou a companhia.

Os pesquisadores desenvolveram o ataque em seis dias, orientando agentes de IA que usavam o modelo GPT-5.6 Sol, disponibilizado publicamente pela OpenAI. O Google confirmou as três falhas, corrigiu-as e pagou à XBOW a recompensa máxima de US$ 250.000 por um exploit de cadeia completa para o Chrome.

O ataque forma uma cadeia completa: um conjunto de falhas combinadas para romper todas as camadas de proteção do Chrome, desde uma página da web até o computador.

O Chrome executa o código das páginas em duas camadas de sandbox, barreiras que impedem que uma página comprometida alcance o restante da máquina. A cadeia atravessou ambas, permitindo executar código fora do Chrome, no Windows, sem que o usuário precisasse clicar ou baixar qualquer coisa.

As três falhas já foram corrigidas e, segundo a XBOW, nunca foram usadas contra usuários do Chrome. As duas que receberam identificadores públicos foram corrigidas nas versões 152.0.7977.65, em 25 de agosto, e 152.0.7977.82, em 3 de setembro.

O Chrome é atualizado automaticamente, mas a correção só entra em vigor depois que o navegador é reiniciado. Portanto, é necessário reiniciar o Chrome e confirmar se a versão instalada é a 152.0.7977.82 ou posterior.

Os seis dias são o principal destaque, mas precisam ser contextualizados. A XBOW desenvolveu a cadeia premiada entre domingo, 2 de agosto, e sexta-feira, 7 de agosto, durante as conferências Black Hat e DEF CON, em Las Vegas. A iniciativa foi precedida por meses de trabalho: a empresa lançou o desafio em uma reunião de equipe realizada em janeiro, em Malta, e levou dois meses para concluir sua primeira cadeia completa para o Chrome.

Uma das versões da cadeia premiada quase fracassou porque uma das falhas usadas já era conhecida pelo Google. A XBOW havia montado o exploit com componentes substituíveis e alternativas prontas. Assim, trocou a parte afetada e manteve a cadeia funcionando. Segundo os registros de uso da própria empresa, a operação de seis dias custou cerca de US$ 40.000 em serviços de IA.

A XBOW também diferenciou o papel da IA do trabalho feito pelas pessoas. Os agentes de IA analisaram o código-fonte do Chrome, testaram ideias, criaram provas de conceito e escreveram as primeiras versões do exploit. Os pesquisadores escolheram os alvos, forneceram contexto, contestaram os resultados dos agentes e decidiram quais componentes combinar.

O pesquisador Brendan Dolan-Gavitt desenvolveu a cadeia premiada com o auxílio dos agentes. “Antes dos modelos de linguagem de grande escala, uma cadeia completa para o Chrome levaria de seis a nove meses para ser produzida por uma equipe de quatro pessoas. Nossa primeira submissão levou dois meses. A premiada? Seis dias”, escreveu Dolan-Gavitt.

As três falhas estavam em componentes diferentes do Chrome. As notas de versão do Google atribuem duas delas a Dolan-Gavitt, da XBOW, e informam as versões que as corrigiram.

| Etapa | Componente | CVE | Corrigida em |
|---|---|---|---|
| 1 | V8, mecanismo JavaScript do Chrome | CVE-2026-85045 | 152.0.7977.82, em 3 de setembro |
| 2 | Decodificador de imagens WebP animadas | Sem identificador público listado | Ciclo do Chrome 152 |
| 3 | Crashpad, sistema de tratamento de falhas do Chrome | CVE-2026-78952 | 152.0.7977.65, em 25 de agosto |

A primeira falha permitiu ao invasor controlar a memória dentro do mecanismo JavaScript do Chrome. A segunda, no código que processa imagens WebP animadas, usou esse controle para escapar da sandbox interna do mecanismo e realizar uma gravação precisa na memória do computador. A terceira, no Crashpad, sistema de tratamento de falhas do Chrome que funciona fora da sandbox, transformou essa gravação em execução completa de código na máquina.

As duas falhas identificadas publicamente foram classificadas como de alta gravidade e exigiam que o usuário acessasse uma página. A falha no WebP foi corrigida no mesmo ciclo do Chrome 152, mas não há confirmação de um identificador público para ela. O identificador CVE-2026-85045 , associado à etapa do WebP no comunicado da XBOW, é atribuído à falha no V8 tanto pelo Google quanto pelo relatório técnico da própria XBOW.

O programa de recompensas por vulnerabilidades do Chrome paga até US$ 250.000 por um exploit de cadeia completa, sua maior recompensa para um único relatório, conforme as regras atualizadas em 2026. O Google concede no máximo quatro prêmios desse tipo por ano. A XBOW afirma que este é o primeiro prêmio por uma cadeia completa para o Chrome concedido sob as regras de 2026 e o primeiro destinado a uma empresa autônoma de segurança.

Antes da distribuição das correções, cerca de 1 bilhão de pessoas que usam o Chrome no Windows estavam vulneráveis a esse tipo de ataque, segundo a empresa.

Para a XBOW, o principal ponto é a velocidade. “Foram necessários apenas seis dias e cerca de US$ 40.000 em capacidade computacional para que um único pesquisador produzisse uma cadeia que antes levaria meses”, afirmou o fundador, Oege de Moor, no comunicado.

Dolan-Gavitt resumiu o alerta para os profissionais de defesa: “Seis dias e US$ 40.000 não são muito tempo nem dinheiro quando o prêmio é uma cadeia para o Chrome!” Segundo ele, a barreira de entrada está muito mais baixa. “Defendam-se de acordo.”

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