Ativistas da privacidade e músicos se reuniram na sexta-feira em frente ao Madison Square Garden para defender uma nova legislação que proíba o uso de tecnologia de reconhecimento facial no local e em outros espaços públicos de Nova York.
“MSG e seu CEO, James Dolan, têm abusado de forma flagrante da biotecnologia”, afirmou a vereadora Shahana Hanif durante o ato, após liderar o coro de “ban the scan”, expressão em inglês que pede a proibição da varredura facial. Em janeiro, Hanif apresentou um projeto de lei que proibiria locais públicos de usar tecnologias de reconhecimento biométrico, como os sistemas de reconhecimento facial do Madison Square Garden.
O Madison Square Garden é conhecido por suas práticas de coleta de dados biométricos. Segundo fontes, torcedores críticos de Dolan ou do New York Knicks podem acabar em listas de vigilância, com seus rostos registrados no extenso banco de dados da MSG. Em um caso, a segurança da MSG monitorou os movimentos de um torcedor específico durante um jogo dos Knicks minuto a minuto, registrando deslocamentos, com quem ele conversou, quando comeu e onde se sentou. Centenas de advogados envolvidos em disputas com Dolan ou com propriedades ligadas a ele foram proibidos de entrar nos espaços do empresário, incluindo uma mãe que foi impedida de levar a filha a um espetáculo no Radio City Music Hall.
No protesto de sexta-feira, Hanif esteve acompanhada da cantora country Paisley Fields, radicada no Brooklyn, de um representante do grupo de trabalho tecnológico da organização democrata-socialista NYC DSA Tech Action e de integrantes da organização de defesa dos direitos digitais Fight for the Future.
O projeto “Ban the Scan” de Hanif já conta com 27 apoios, mais da metade da Câmara Municipal. Segundo a vereadora, os membros estão em negociação com a presidente da Casa, Julie Menin, para avançar com a proposta.
“As pessoas reconhecem o rosto umas das outras desde o início dos tempos, nós só fazemos isso eletronicamente”, disse um porta-voz da MSG em nota enviada por e-mail.
Hanif disse à entrevistadores que, como muçulmana que cresceu em Nova York depois dos ataques de 11 de setembro, a vigilância não é novidade. Ainda assim, ela afirma que muitos não percebem a dimensão do monitoramento a que estão expostos apenas por ir a um jogo dos Knicks, a um show no Madison Square Garden ou a um dos espaços associados à arena. O fato de Dolan, que tem uma relação antiga com o presidente Donald Trump, ser quem coleta esses dados a preocupa ainda mais.
“Os nova-iorquinos precisam entender que, neste momento, entre a IA e todas essas ferramentas que estão sendo vendidas para nós como se fossem para a segurança da nossa cidade, na verdade estão nos deixando menos seguros”, disse Hanif.
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