OpenSSL corrige falha grave no DTLS que pode vazar dados da memória heap em texto claro
30 de Setembro de 2026

Uma falha de alta gravidade no OpenSSL pode expor dados da memória heap à outra ponta de uma conexão DTLS ou fazer o programa travar. O projeto divulgou o problema em 29/09/2026, junto com as correções.

O DTLS, uma variante do TLS usada no tráfego UDP, reenvia uma mensagem inicial do handshake quando não recebe resposta antes de o temporizador expirar. O vazamento de memória ou a interrupção do programa pode ocorrer quando esse reenvio começa enquanto uma mensagem maior do handshake está parcialmente enviada.

A falha, identificada como CVE-2026-84782 , foi corrigida no OpenSSL 4.0.3, 3.6.5, 3.5.9 e 3.4.8. As versões corrigidas das linhas antigas 3.0, 1.1.1 e 1.0.2 estão disponíveis apenas para clientes com suporte premium do OpenSSL. O suporte público ao OpenSSL 3.0 terminou em 07/09/2026.

O OpenSSL não informou se um invasor consegue provocar o reenvio enquanto uma mensagem está parcialmente enviada nem relatou ataques que explorem a falha.

O DTLS é usado, por exemplo, para proteger canais de dados do WebRTC e estabelecer chaves de criptografia para chamadas pela internet. Um programa só está vulnerável se usar o OpenSSL para DTLS.

O DTLS divide mensagens grandes do handshake em fragmentos que cabem em um único datagrama UDP. Se a conexão não puder aceitar mais dados naquele momento, o envio pode ser interrompido no meio de uma mensagem e retomado depois. Mesmo durante a pausa, o temporizador de reenvio pode expirar e fazer com que uma mensagem anterior seja enviada novamente.

Antes da correção, o reenvio usava a posição da mensagem pausada na memória intermediária, em vez de voltar ao início da mensagem que deveria ser reenviada. Assim, a mensagem era transmitida com um identificador incorreto. Seu conteúdo era formado pelos bytes restantes da mensagem maior, e a leitura desses dados podia ultrapassar os limites da memória intermediária.

Segundo o OpenSSL, a mensagem identificada incorretamente pode expor dados da memória heap à outra ponta como dados não criptografados do handshake. Se a leitura alcançar uma região de memória não mapeada, o programa trava.

O OpenSSL não restringe a falha a clientes ou servidores DTLS. A correção foi testada nos dois papéis.

Laurent Gaffie, da Secorizon, relatou a falha em 17/08/2026, e Ryan Hooper desenvolveu a correção.

O OpenSSL classifica o problema como de gravidade Alta, um nível abaixo de Crítica em sua escala. A política de segurança do projeto recomenda instalar o quanto antes as atualizações que corrigem falhas de gravidade Alta.

Em 29/09/2026, a CISA atribuiu à falha uma pontuação CVSS de 8,2 em 10, com impacto baixo sobre a confidencialidade e alto sobre a disponibilidade. Naquele momento, o registro da CISA indicava que não havia exploração conhecida. O OpenSSL não usa CVSS para definir suas classificações de gravidade e afirma que as pontuações de entidades externas podem ser bastante diferentes das suas.

O aviso de segurança do Ubuntu afirma que um invasor poderia usar a falha para provocar “comportamento incorreto no handshake ou uma negação de serviço”. O aviso não menciona vazamento de memória.

Quais versões corrigem a falha

A falha afeta as versões 4.0, 3.6, 3.5, 3.4, 3.0, 1.1.1 e 1.0.2 do OpenSSL, em todas as edições anteriores às versões corrigidas indicadas abaixo.

| Linha | Versão corrigida | Disponibilidade | Situação do suporte |
|---|---|---|---|
| 4.0 | 4.0.3 | Download público | Suporte até 14/05/2027 |
| 3.6 | 3.6.5 | Download público | Suporte até 01/11/2026 |
| 3.5 | 3.5.9 | Download público | Versão com suporte de longo prazo, até 08/04/2030 |
| 3.4 | 3.4.8 | Download público | Suporte até 22/10/2026 |
| 3.0 | 3.0.23 | Apenas para clientes com suporte premium | Suporte público encerrado em 07/09/2026 |
| 1.1.1 | 1.1.1zj | Apenas para clientes com suporte premium | Sem suporte público |
| 1.0.2 | 1.0.2zs | Apenas para clientes com suporte premium | Sem suporte público |
| 3.1, 3.2, 3.3 | Nenhuma informada | Não se aplica | Sem suporte público. O OpenSSL não verificou se essas linhas são afetadas. |

O OpenSSL não indica nenhuma solução temporária para quem ainda não pode atualizar. O Ubuntu corrigiu a falha em seus próprios pacotes em 29/09/2026, que mantêm números de versão mais antigos do OpenSSL:

- Ubuntu 26.04 LTS: libssl3t64 3.5.5-1ubuntu3.6
- Ubuntu 24.04 LTS: libssl3t64 3.0.13-0ubuntu3.16
- Ubuntu 22.04 LTS: libssl3 3.0.2-0ubuntu1.30

Usuários do Ubuntu precisam reiniciar o sistema após a atualização para que todas as mudanças entrem em vigor.

O Debian corrigiu a falha no Debian 13 com a versão 3.5.7-1~deb13u3 do pacote openssl, distribuída como DSA-6531-1. Às 07h36 UTC de 30/09/2026, o rastreador de segurança do projeto ainda indicava que o Debian 12 estava vulnerável.

O que usuários do OpenSSL 3.0 podem fazer

A última versão pública da linha 3.0 foi a 3.0.22, lançada em 25/08/2026. A versão 3.0.23 é a primeira atualização de segurança dessa linha que o OpenSSL não disponibilizou publicamente. Ela corrige seis das 14 falhas divulgadas em 29/09/2026, incluindo a CVE-2026-84782 .

Para o Ubuntu 22.04 e o 24.04, que usam o OpenSSL 3.0, a correção já está disponível nos pacotes listados acima. Quem compila o OpenSSL 3.0 ou inclui uma cópia da biblioteca em seu próprio software não tem acesso a uma correção pública do projeto.

O OpenSSL recomenda migrar para uma linha mais recente, como a 4.0 ou a 3.5, que conta com suporte de longo prazo. Outra opção é contratar suporte pago, que dá acesso contínuo a correções de segurança para versões cujo período de suporte público terminou.

As versões lançadas em 29/09/2026 também corrigem outras 13 falhas. A mais grave delas, CVE-2026-84783 , foi classificada como Moderada e afeta apenas o OpenSSL 4.0.

Uma contraparte remota e não autenticada poderia explorar o problema para travar um cliente TLS multithread ou um servidor TLS multithread que solicite certificados de cliente. Isso só pode ocorrer se várias conexões montarem, ao mesmo tempo, suas primeiras cadeias de certificados até o mesmo certificado de autoridade certificadora confiável.

Outra falha no DTLS, a CVE-2026-75806 , foi classificada como Baixa. Ela afeta conexões DTLS 1.2 estabelecidas que usam um conjunto de cifras AEAD. Qualquer pessoa capaz de enviar um datagrama a uma dessas conexões pode encerrá-la com um único datagrama curto demais, sem precisar conhecer nenhuma chave.

As outras 11 falhas também foram classificadas como Baixas. Entre elas estão cinco no código QUIC do OpenSSL e três canais laterais de temporização no código ECDSA e SM2.

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