Novos badges da Defcon trazem chip open source que também funciona como security key
6 de Agosto de 2026

Há anos, uma das marcas registradas da conferência anual Defcon, voltada a hackers, é que os participantes saem de lá não apenas com conhecimento sobre novas vulnerabilidades de software e técnicas de invasão, mas também com um crachá de conferência elaborado ao extremo.

Em muitos casos, tratam-se de verdadeiras obras eletrônicas, cheias de enigmas intrincados, desafios criptográficos complexos, referências escondidas e até engrenagens mecânicas de relógio.

Todos os anos, o criador do crachá tenta superar os modelos anteriores e impressionar até os hackers mais exigentes.

Neste ano, porém, a aposta é diferente.

Em vez de o destaque ficar com o visual do crachá, o que realmente chama atenção é o que está dentro do hardware.

A Defcon convidou Andrew “bunnie” Huang, uma lenda entre os hackers de hardware, para criar os crachás, revelados aqui pela primeira vez.

Eles trazem um chip open source inovador, projetado por Huang, cujo objetivo é elevar o nível de segurança, transparência e confiabilidade na computação.

Mas o chip não faz parte apenas do crachá.

Seu módulo principal pode ser removido e usado depois da conferência como um token de segurança de hardware, dando ao acessório uma segunda vida para além da Defcon.

Chamado Baochip-1x, o chip é um microcontrolador “quase” open source que levou três anos para ser desenvolvido e concretiza um sonho antigo de Huang: criar um chip cuja segurança possa ser verificada.

Ele publicou no GitHub o código-fonte do sistema operacional, do firmware, do núcleo do processador, dos motores criptográficos e do sistema de entrada e saída do Baochip, tornando esses componentes disponíveis para inspeção e uso.

O chip também foi embalado de forma a permitir que pesquisadores observem seu interior e verifiquem o próprio silício, comparando o que veem com o projeto publicado, em vez de precisar confiar que o chip fabricado corresponde exatamente ao que os projetistas idealizaram.

Tradicionalmente, chips são componentes de caixa-preta, com uma camada opaca que esconde seus circuitos.

Mesmo chips open source anteriores, que disponibilizavam suas especificações e código para análise, vinham encapsulados em plástico impermeável, criando um problema na supply chain.

Os usuários precisavam confiar que nada havia sido alterado durante a fabricação, como a inserção de um componente de backdoor.

Diferentemente dos chips convencionais, encapsulados em plástico opaco, o Baochip é preparado para que a luz infravermelha atravesse a parte traseira do silício, permitindo a inspeção visual de suas estruturas internas.

Huang pretende demonstrar a técnica durante a conferência, permitindo que os participantes examinem o chip sob luz infravermelha.

“Tenho feito muita coisa nessa linha de confiança, silício, verificação e transparência há anos”, disse Huang.

“Tudo isso faz parte dessa narrativa que venho construindo... para tentar chegar a um chip em que possamos confiar até o núcleo mais profundo, até o transistor... É possível ver de fato... as matrizes de RAM... no chip.”

Construir um chip

Desenvolver um novo chip é um projeto caro, que pode custar milhões de dólares em fabricação.

Mas Huang teve uma oportunidade importante há três anos, quando a empresa Crossbar o procurou.

A companhia queria criar um novo chip open source e seguro, mas não sabia por onde começar.

Huang aceitou ajudar sob uma condição: que ele pudesse aproveitar a mesma rodada de fabricação, colocando seu CPU no wafer da empresa, para que ambos os projetos dividissem a mesma produção, em vez de obrigá-lo a financiar uma tiragem separada.

“Eles veem isso como algo em que, se me colocarem no chip, ganham dois produtos pelo preço de um”, disse Huang.

Segundo ele, esse tipo de aproveitamento da fabricação não é incomum, embora a indústria evite falar disso publicamente.

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