Novo infostealer VOLTA usa Claude, Gemini e Kimi para avaliar o potencial financeiro das vítimas
3 de Novembro de 2026

Pesquisadores de cibersegurança descobriram um novo infostealer para Windows, chamado VOLTA-AUTODOXER, também conhecido como VOLTA. O malware usa um modelo de linguagem de grande escala para classificar os dados roubados das vítimas de acordo com seu potencial de monetização.

Como outras famílias de infostealers, o VOLTA coleta senhas e cookies de navegadores baseados no Chromium; dados de perfis do Outlook e de espaços de trabalho do Slack; cartões de pagamento; frases-semente de carteiras de criptomoedas; sessões do Discord, Telegram, Steam e Roblox; tokens OAuth da Microsoft; chaves SSH e de provedores de cloud; perfis de Wi-Fi; e capturas de tela.

“O VOLTA monta um pacote estruturado de evidências sobre a pessoa que usa o computador”, afirmou Ryan Fetterman, pesquisador da Cisco Talos. “Esse pacote reúne geolocalização e endereço residencial, empregador e domínio da empresa, ano de nascimento estimado, os quatro últimos dígitos de cartões, espaços de trabalho do Slack, metadados de autoria de documentos, indícios de cópias de segurança de iPhone e uma avaliação em tempo real da conta Roblox.”

Para aumentar o valor dessas informações, o malware usa o acesso às sessões roubadas para pesquisar a conta do Gmail da vítima em busca de comprovantes. Mensagens relacionadas à Amazon, DoorDash, Uber Eats, Grubhub, Walmart e PayPal podem ajudar a confirmar o endereço residencial.

Depois de coletar os dados necessários, o VOLTA os organiza em um pacote e os envia para análise por meio do OpenRouter, um serviço unificado de acesso e roteamento de modelos de linguagem, junto com uma instrução de sistema. Por padrão, as solicitações são direcionadas ao Claude Opus 4.6, da Anthropic. Se o modelo não estiver disponível, o malware recorre ao Kimi K2, da Moonshot AI, e ao Gemini 2.5 Flash, do Google.

“O VOLTA usa uma arquitetura multimodelo para se recuperar de forma confiável quando um modelo recusa uma solicitação. Ele verifica cada resposta em busca de expressões como ‘não posso’ ou ‘não sou capaz de’ antes de encaminhá-la para uma sequência de até três modelos”, informou a Talos.

O VOLTA inclui uma instrução de sistema de 240 palavras que orienta o modelo a atuar como um “analista de inteligência forense” e elaborar uma avaliação do alvo com base nos dados do pacote estruturado de evidências. “O pacote é a ÚNICA fonte de fatos permitida; seu conhecimento de treinamento nunca deve fornecer informações sobre a pessoa”, diz um trecho da instrução.

“A resposta precisa incluir uma seção intitulada ‘QUANTO VALEM’, com os bens classificados por potencial de monetização em níveis baixo, médio ou alto, e outra seção sobre ‘SEGURANÇA OPERACIONAL’, com uma avaliação das práticas de segurança da vítima e da qualidade de suas senhas”, explicou a Talos.

“O modelo atua como analista de triagem do operador. Ele transforma um registro bruto de credenciais em um dossiê da vítima, com prioridades e fontes citadas, além de identificar os ativos que podem ser monetizados.”

A exfiltração de dados ocorre pelo Telegram em três etapas:

- Logo após a execução do infostealer, são enviados dados sobre senhas e cookies de navegadores, cartões de pagamento, carteiras de criptomoedas, tokens do Discord, Steam e Roblox, senhas de Wi-Fi e capturas de tela.
- Depois da chamada ao modelo de linguagem, são enviados os dados coletados e os resultados da análise.
- Após a etapa de enriquecimento em tempo real, são enviados comprovantes do Gmail e históricos de pedidos.

Além disso, o VOLTA usa um modelo com seis campos preenchidos durante a compilação. Entre eles estão o canal do Telegram usado para exfiltrar dados, chaves de API e outras configurações.

Essa abordagem sugere que o autor do malware pode estar oferecendo um kit para criação da ameaça a possíveis clientes ou operando a ferramenta sob encomenda, compilando um arquivo binário personalizado para cada pedido.

“Se o VOLTA for de fato um malware comercializado em escala, o recurso de geração de dossiês com IA não foi criado pelo autor apenas para uso próprio”, afirmou a Talos. “É uma função que permite a clientes com qualquer nível de conhecimento direcioná-lo a vítimas e receber avaliações classificadas dos alvos diretamente na caixa de entrada do Telegram.”

“O VOLTA é um infostealer maduro ao qual foi adicionada, em uma etapa final, uma camada de IA com um único objetivo: poupar o operador do trabalho de análise. O avanço proporcionado pela IA, nesse caso, não está na velocidade nem na escala, mas na redução do esforço humano.”

A divulgação ocorre em meio à rápida normalização do uso adversário de IA generativa. Agentes maliciosos incorporam a tecnologia a seus fluxos de trabalho para desenvolver ferramentas personalizadas ou localizar dados valiosos, o que aumenta a probabilidade de sucesso dos ataques.

“As tecnologias de IA generativa também são adequadas para examinar grandes volumes de dados com o objetivo de classificá-los ou buscar conteúdo”, afirmou a equipe ThreatLabz, da Zscaler. “Depois que um invasor obtém acesso ao sistema da vítima, pode usar IA generativa para pesquisar todos os materiais acessíveis nesse sistema e localizar os dados mais valiosos ou sensíveis para roubar ou criptografar na etapa seguinte do ataque.”

Um agente de ransomware pode usar esse método para identificar e obter os dados mais sensíveis de uma rede comprometida, aumentando as chances de a vítima pagar o resgate.

Na semana passada, a Talos também detalhou uma estrutura equipada com IA chamada NIK C2. Ela oferece aos invasores recursos de acesso remoto, roubo de credenciais, captura de teclas, evasão de defesas, vigilância e ransomware. A ferramenta também integra um cliente da OpenAI para enviar dados roubados para análise por IA durante a sessão comprometida.

Desenvolvida em Go, a ferramenta de acesso remoto para Windows NIK C2 mantém controle persistente sobre computadores comprometidos e aceita mais de 52 comandos enviados por um servidor C2 para coletar diferentes tipos de dados.

A integração com a OpenAI chama a atenção porque o agente malicioso pode abusar da chave de API da própria vítima para executar análises com IA. Primeiro, o implante verifica se o agente forneceu uma chave. Se não encontrar nenhuma, procura a expressão “OPENAI_API_KEY” nas variáveis de ambiente da vítima e usa a chave correspondente.

Essa prática é uma forma de sequestro de acesso a modelos de linguagem: invasores usam o acesso de terceiros a modelos de IA para realizar suas próprias operações, neste caso contra a própria vítima, enquanto o titular legítimo paga pelo processamento. Além disso, a estratégia dificulta a detecção ao ocultar a identidade de quem fez as solicitações.

“Essa alternativa não é um mecanismo de reserva para localizar uma chave de API. É uma escolha deliberada de design, com implicações operacionais importantes”, afirmou a Talos. “Se a vítima tiver configurado uma conta da OpenAI no computador, a chave de API dessa conta será usada para pagar pela inferência de IA do agente malicioso.”

“O NIK C2 transforma as práticas dos adversários ao combinar coleta e exploração em uma única sessão contínua. Com isso, elimina os atrasos do processamento offline que, historicamente, ofereciam aos defensores janelas cruciais para detectar a atividade”, afirmou a Talos.

Publicidade

Proteja sua empresa contra hackers através de um Pentest

Tenha acesso aos melhores hackers éticos do mercado através de um serviço personalizado, especializado e adaptado para o seu negócio. Guardsi: qualidade, confiança e especialidade em segurança ofensiva de quem já protegeu centenas de empresas. Saiba mais...