Nova lei permite remover parte de nudes da internet
1 de Junho de 2026

A partir de 19 de maio, plataformas de tecnologia terão a obrigação legal de disponibilizar um meio para que pessoas denunciem imagens e vídeos íntimos publicados sem consentimento, conhecidos como NCII. A exigência faz parte do Take It Down Act, uma lei federal dos Estados Unidos aprovada no ano passado com apoio bipartidário e respaldada pela primeira-dama Melania Trump.

O Take It Down Act possui aplicação abrangente e alcança diversos aplicativos e serviços online, incluindo redes sociais e plataformas de jogos, conforme orientações divulgadas pela Federal Trade Commission, agência responsável por fiscalizar o cumprimento da legislação.

Investigações revelam que muitas empresas apresentam resistência em implementar adequadamente os mecanismos de denúncia. Algumas grandes corporações confirmam publicamente o apoio à legislação, mas têm dificuldade em detalhar como os usuários poderão realmente protocolar as solicitações de remoção. Um porta-voz garantiu que sua plataforma oferecia um formulário seguro de denúncia, mas forneceu o link correspondente apenas após insistência. Diversas empresas atualizaram suas páginas de suporte somente após serem contatadas, enquanto outras hospedaram seus formulários em sites de terceiros, dificultando a localização do recurso pelos usuários.

Algumas corporações informaram que não pretendiam disponibilizar os formulários até o dia em que a lei entrasse em vigor, apesar de terem tido um ano entre a aprovação da legislação e o início de sua aplicação para desenvolver os sistemas de remoção e portais de solicitação.

A T-Mobile afirmou que apoiava a lei, mas argumentou não operar os tipos de plataformas aos quais o texto se aplica, concentrando-se em serviços de telefonia móvel e banda larga. Vale notar que os serviços de banda larga estão explicitamente excluídos da lei. Grandes empresas como X Corp., de Elon Musk, e Verizon não responderam às tentativas de contato, apesar da relevância da questão. A X Corp. ganhou destaque internacional quando seu chatbot de IA, Grok, gerou e publicou milhares de imagens não consensuais de mulheres em diferentes estados de nudez.

Pesquisadores apontam que a disponibilização de canais de denúncia é um dos aspectos mais críticos do Take It Down Act. Jennifer King, pesquisadora do Stanford University Institute for Human-Centered Artificial Intelligence, destaca que muitas empresas negligenciam essa parte da implementação. Um aspecto preocupante é que muitas vítimas desse tipo de abuso são adolescentes, que frequentemente desconhecem seus direitos ou enfrentam dificuldades para compreender a linguagem jurídica complexa incluída nesses formulários. King observa que as empresas raramente investem recursos em testar esses formulários com usuários mais jovens, o que compromete sua efetividade.

De acordo com James Grimmelmann, professor de Direito na Cornell Law School e Cornell Tech, o Take It Down Act estabelece requisitos básicos para todo pedido de remoção. No mínimo, a solicitação deve incluir um meio para localizar o conteúdo, como um link direto, além de uma declaração explicando que o material foi publicado sem consentimento. O pedido também deve trazer a assinatura da pessoa retratada ou de alguém autorizado a agir em seu nome, e uma forma de contato para comunicação.

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