Quem quer que tenha levado quase 4.000 bitcoin da Liquid Network no domingo, 6 de setembro, devolveu 3.400 no dia seguinte, segundo o registro público do Bitcoin. Cerca de 598,5 bitcoin ainda não foram recuperados.
A Liquid é uma sidechain do Bitcoin que mantém bitcoin real para lastrear um token chamado L-BTC. A rede continua pausada, o que impede os detentores de converter esse token de volta em bitcoin.
Os 3.400 bitcoin foram enviados para um endereço da Liquid Federation às 16h09 UTC de 7 de setembro, o equivalente a cerca de 85% do que havia sido retirado. A federation é o grupo de operadores que mantém o bitcoin usado como lastro do L-BTC.
Os 598,5 bitcoin restantes não representam um pagamento separado. Trata-se do troco dessa mesma transação, devolvido ao endereço de onde os fundos haviam saído. Segundo o explorador de blocos mempool.space, o valor ainda estava lá em 8 de setembro.
Nem a Blockstream nem a Liquid Network afirmaram publicamente se esse bitcoin faz parte de algum acordo.
Em uma nota sobre o incidente, a Blockstream, que fornece a tecnologia da Liquid, disse que hackers que se dizem white hats retiraram cerca de 4.000 bitcoin da carteira da federation. Na época, o valor era de aproximadamente US$ 320 milhões.
A retirada consumiu cerca de 95% das reservas de bitcoin informadas pela Liquid, que somavam por volta de 4.200 bitcoin antes do incidente, informou o The Block.
Com o bitcoin cotado em cerca de US$ 78.000 em 8 de setembro, os 3.400 bitcoin devolvidos valiam aproximadamente US$ 265 milhões, enquanto os 598,5 bitcoin ainda retidos valiam cerca de US$ 47 milhões.
O bitcoin foi enviado por meio da Peg-out Authorization Key da SideSwap, uma das chaves que liberam fundos da sidechain. Essa chave “não foi comprometida, nem qualquer outra”, disse a Blockstream.
Um peg-out destrói L-BTC na sidechain e libera o bitcoin correspondente na cadeia principal do Bitcoin. A SideSwap afirmou que um bug no Elements havia criado o L-BTC usado nessa retirada, segundo a Unchained. A empresa também disse que nem seus sistemas nem sua chave foram comprometidos.
A Liquid não explicou a falha quando anunciou o incidente, e a página de ocorrência da Blockstream também não traz detalhes sobre isso.
As duas partes então passaram a se comunicar em público, na blockchain do Bitcoin. Uma mensagem inicial registrada em uma transação dizia: “nós somos whitehats. entrem em contato on chain”, informou o The Block.
O grupo pediu que a falha fosse corrigida e que todos os nodes recebessem patch antes de devolver qualquer valor, segundo a Unchained. A Blockstream respondeu com uma mensagem assinada dizendo que seus bridge nodes já haviam recebido patch e que os fundos estavam seguros para ser devolvidos.
Uma transação confirmada às 15h31 UTC de 7 de setembro enviou 1.000 satoshis, ou 0,00001 bitcoin, ao endereço da federation, junto de uma mensagem criptografada com PGP registrada na transação. O conteúdo dessa mensagem não foi divulgado. Os 3.400 bitcoin vieram em seguida, com confirmação 38 minutos depois.
A Blockstream afirmou que um software atualizado foi implantado e que os membros da federation se preparam para uma retomada coordenada, informou a Unchained. Samson Mow, CEO da JAN3 e ex-executivo da Blockstream, estimou em cerca de 598 bitcoin o valor não devolvido. Segundo ele, a Blockstream ainda está em contato com o grupo.
Em 8 de setembro, a página de status da Blockstream ainda listava o incidente como ativo, com seus public bridge nodes fora do ar, e não havia sido atualizada para mencionar a devolução. O site também não informa quanto bitcoin agora lastreia o L-BTC.
Mow orientou os usuários a não enviarem bitcoin para os endereços de peg-in da Liquid, os endereços de depósito que criam L-BTC, até que a retomada seja confirmada. Outros ativos emitidos na Liquid, incluindo USDT e DePix, não foram afetados, disse a Blockstream.
Nem todos aceitam a descrição de white hat. Charles Guillemet, diretor de tecnologia da Ledger, rejeitou o rótulo, informou a Unchained. Segundo ele, se os cerca de 600 bitcoin ainda retidos forem uma recompensa negociada por meio de mensagens criptografadas na blockchain, o acordo se parece mais com extorsão.
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