Links ocultos no Telegram podem expor seu IP com um clique
13 de Janeiro de 2026

Um único clique em um link que parece ser um nome de usuário do Telegram ou um endereço inofensivo já pode expor o endereço IP real do usuário a possíveis atacantes, devido à forma como a plataforma processa links de proxy.

O Telegram informou que começará a exibir alertas ao abrir links de proxy, após pesquisadores de segurança demonstrarem que links especialmente criados podem revelar o IP verdadeiro do usuário sem qualquer confirmação prévia.

Nesta semana, especialistas mostraram que os clientes do Telegram para Android e iOS tentam automaticamente se conectar a um proxy quando o usuário clica em um link interno malicioso.

Esses links podem estar camuflados como nomes de usuário comuns, como @durov, dentro de mensagens, mas, na verdade, redirecionam para um link de proxy do Telegram.

Links de proxy no Telegram (t.me/proxy?...) são URLs usadas para configurar rapidamente proxies MTProto no aplicativo.

Eles permitem que o usuário adicione um proxy clicando no link, sem a necessidade de digitar manualmente os detalhes do servidor:

https://t.me/proxy?server=[endereço IP ou hostname]&port=[porta]&secret=[segredo_MTProto]

Ao abrir esse link no Telegram, o app lê os parâmetros do proxy (servidor, porta e segredo) e pergunta ao usuário se deseja adicionar a configuração às suas preferências.

Esses links são amplamente compartilhados para ajudar usuários a contornar bloqueios de rede ou censura na internet, além de proteger sua localização, especialmente em ambientes com restrições rigorosas.

Por isso, são muito usados por ativistas, jornalistas e pessoas que buscam anonimato.

No entanto, nas versões do Telegram para Android e iOS, ao abrir um link de proxy, o aplicativo realiza automaticamente uma conexão de teste, enviando uma requisição direta do dispositivo para o servidor especificado, mesmo antes do usuário confirmar a adição do proxy.

Atacantes podem explorar esse comportamento criando seus próprios proxies MTProto e disseminando links que parecem ser nomes de usuário ou URLs comuns, mas que, na prática, apontam para servidores controlados por eles.

Quando um usuário toca nesses links em dispositivos móveis, o Telegram tenta se conectar ao servidor malicioso, permitindo que o operador do proxy registre o endereço IP real do usuário.

Com essas informações, é possível aproximar a localização do usuário, realizar ataques de negação de serviço (DoS) ou executar outras ações direcionadas.

O problema veio à tona pelo canal russo chekist42 no Telegram, que compartilhou um link PoC disfarçado demonstrando a falha:

https://t[.]me/proxy?server=1.1.1.1&port=53&secret=SubscribeToGangExposed_int

O pesquisador responsável explicou: “Quando isso acontece, o Telegram envia um ping automático ao proxy antes de adicioná-lo.

Essa requisição ignora quaisquer proxies configurados, e o IP real do usuário é imediatamente registrado.”

“O ataque é silencioso e altamente eficaz.”

Outra demonstração do problema foi feita pela conta 0x6rss, especializada em pesquisa de segurança e OSINT, que publicou um vídeo mostrando a exploração da vulnerabilidade.

O pesquisador comparou essa falha a vazamentos de hash NTLM no Windows, em que um único clique em um recurso malicioso pode disparar uma requisição automática sem que o usuário perceba.

De modo geral, o vazamento do endereço IP expõe o usuário a rastreamento de localização, criação de perfis e ataques direcionados.

Neste caso, a falha exige apenas um clique, sem qualquer aviso ou confirmação extra, podendo ser usada para comprometer o anonimato de alvos específicos.

o Telegram declarou que qualquer site ou proxy pode ver o IP de quem acessa e que isso não é algo exclusivo da plataforma nem mais grave do que em outros aplicativos de mensagem.

“Qualquer dono de site ou proxy consegue visualizar o IP de visitantes, independentemente da plataforma usada”, afirmou um representante do Telegram.

“Isso não é algo mais relevante no Telegram do que no WhatsApp ou em qualquer outro serviço que use a internet.”

Ainda assim, a empresa anunciou que incluirá avisos ao abrir links de proxy para alertar os usuários sobre a possibilidade de links disfarçados.

Até o momento, o Telegram não informou quando esse recurso será implementado nos aplicativos.

Enquanto isso, recomenda-se que os usuários tenham cautela ao clicar em nomes de usuário e links que redirecionam para domínios t.me, pois links de proxy mascarados podem revelar inadvertidamente o endereço IP real.

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