A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou na terça-feira que pretende iniciar, na quarta-feira, ataques contra mais de uma dúzia de empresas americanas no Oriente Médio, em retaliação pela morte de cidadãos iranianos na guerra em curso com os Estados Unidos e Israel.
A lista inclui Apple, Google, IBM, Intel, Microsoft, Tesla e Boeing, companhias que o IRGC acusa de facilitar operações de direcionamento militar dos Estados Unidos.
O grupo também orientou funcionários dessas empresas a deixarem a região e pediu que civis evitem a área.
O aviso, publicado no canal do IRGC no Telegram, amplia uma campanha de ameaças iranianas contra a infraestrutura comercial americana desde que Estados Unidos e Israel lançaram seu primeiro ataque contra Teerã em 28 de fevereiro.
Em 1º de março, drones iranianos atingiram dois data centers da Amazon Web Services e danificaram outro nos Emirados Árabes Unidos e no Bahrein, no primeiro ataque confirmado publicamente contra infraestrutura de hyperscale cloud sob controle americano.
Sites de bancos, processadores de pagamento e serviços para consumidores em toda a região saíram do ar depois que redundâncias criadas para evitar interrupções foram desativadas.
No início deste mês, a agência de notícias Tasnim, ligada ao IRGC, publicou uma lista com 29 escritórios regionais e data centers operados por grandes empresas como Amazon, Google, IBM, Nvidia e Palantir, acusando essas companhias de apoiar atividades militares e de inteligência dos Estados Unidos.
Em sua publicação no Telegram, o IRGC disse que as empresas-alvo “devem esperar” ataques a partir das 20h do dia 1º de abril, no horário de Teerã.
A maioria das empresas citadas no comunicado não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da WIRED.
Google, Microsoft e JP Morgan preferiram não comentar.
Bilhões de dólares em tecnologia e infraestrutura dos Estados Unidos estão concentrados no Golfo, onde gigantes americanas do setor apostam que a região se tornará o próximo polo de desenvolvimento de IA.
O IRGC classifica esses fornecedores civis de hardware e software como “alvos legítimos”, sob a alegação de que fornecem a tecnologia usada nos ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel que mataram o líder supremo Ali Khamenei no início da guerra.
As ameaças também evidenciam a dependência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos de fornecedores comerciais com operações na região.
A Palantir, por exemplo, desenvolve a arquitetura de dados do Project Maven, programa de inteligência artificial do Pentágono que processa imagens de drones e satélites para identificar alvos de ataques aéreos.
A empresa também mantém um escritório corporativo em Abu Dhabi.
Ao longo de março, o Exército dos Estados Unidos respondeu bombardeando redes de drones do IRGC usadas para executar os ataques, e o Comando Central dos Estados Unidos divulgou recentemente imagens de ataques aéreos que destruíram lançadores móveis.
Nos últimos dias, porém, a campanha aérea perdeu intensidade, enquanto os EUA suspenderam temporariamente os ataques à infraestrutura energética do Irã para explorar uma possível negociação de paz com Teerã.
Diante da mudança no ritmo operacional, o Pentágono estaria considerando o envio de até 10.000 soldados adicionais ao Oriente Médio para ampliar suas opções antes de uma possível invasão terrestre.
No mês desde a morte de Khamenei, cerca de 2.000 iranianos foram mortos, junto com pelo menos 13 militares dos Estados Unidos.
O conflito se espalhou pela região, com ataques de retaliação iranianos atingindo alvos em Israel, países do Golfo e no Iraque.
O Estreito de Ormuz, rota marítima essencial entre o Irã, os Emirados Árabes Unidos e Omã, permanece praticamente fechado há semanas devido às ameaças de Teerã, o que tem interrompido o envio de petróleo e outras mercadorias para o mundo.
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