INTERPOL alerta para alta de phishing, ransomware e golpes com IA na Ásia-Pacífico
22 de Junho de 2026

Um novo relatório da INTERPOL revelou um “aumento dramático” na cibercriminalidade na Ásia e no Pacífico Sul, impulsionado pela rápida digitalização, pela expansão do acesso à internet, por novas tecnologias, por redes criminosas organizadas e pela disparidade no nível de maturidade em cibersegurança.

De acordo com o relatório **2025/2026 Asia and South Pacific Cyberthreat Assessment Report**, da INTERPOL, o phishing despontou como a forma mais disseminada e financeiramente danosa de crime cibernético.

Um terço dos países da região informou mais de 10.000 casos entre janeiro de 2024 e março de 2025.

No total, mais da metade dos países membros da INTERPOL relatou que a cibercriminalidade respondeu por pelo menos 30% de todos os crimes registrados nacionalmente.

“As conclusões deste relatório destacam um cenário de ameaças cibernéticas em rápida evolução em toda a Ásia e o Pacífico Sul, onde cibercriminosos estão explorando inteligência artificial, modelos de ransomware-as-a-service e técnicas sofisticadas de engenharia social em escala industrial”, afirmou Neal Jetton, diretor de cibercrime da INTERPOL, em comunicado.

“À medida que a adoção digital acelera na região, fortalecer a cooperação operacional, a troca de informações e a resiliência cibernética continua essencial para proteger comunidades e infraestrutura crítica.”

O avanço na sofisticação das táticas criminosas levou a uma alta nos ataques de ransomware, além de golpes com deepfake e impulsionados por inteligência artificial, nos quais criminosos se passam por executivos de empresas para autorizar transações fraudulentas.

A região teria registrado mais de 135.000 ataques relacionados a ransomware em 2024.

A grande maioria dos incidentes afetou os setores imobiliário, industrial e de serviços financeiros.

Esse cenário foi agravado pela industrialização de golpes habilitados por tecnologia, conduzidos por sindicatos transnacionais do crime organizado em países como Camboja, Laos, Mianmar e Filipinas.

Esses grupos montaram grandes centros de fraude que utilizam trabalho forçado para aplicar golpes de investimento, mirando vítimas em todo o mundo após construir relações amistosas ou românticas com elas.

“O crime organizado em Mianmar, Camboja e Laos usou deepfakes em golpes de ‘romance baiting’, combinando personas de IA e engenharia social para alimentar US$ 37 bilhões em perdas regionais com cibercrime”, afirmou a INTERPOL.

Outras tendências regionais destacadas pelo relatório incluem:

- Banking trojans e infostealers apareceram como o segundo tipo mais comum de crime cibernético, com famílias de malware como RedLine, Lumma, LokiBot, Negasteal e ZBot ocupando as primeiras posições.
- 5,5 em cada 1.000 pessoas na região da Ásia e do Pacífico Sul clicaram mensalmente em links de phishing, quase o dobro da média global de 2,9 por 1.000.
- Ataques de negação de serviço distribuída, os DDoS, cresceram 92% em 2024 em relação ao ano anterior.
- Invasões de sistemas responderam por cerca de 80% de todos os data breaches em 2024.
- Uso de tecnologia de deepfake para exploração sexual, chantagem ou coerção.
- Exploração de sistemas mal configurados, criptografia fraca, APIs inseguras e monitoramento insuficiente para invadir redes-alvo.
- Grupos de ransomware passaram a usar obrigações regulatórias das empresas como arma para aumentar a pressão durante tentativas de extorsão.

“Em resposta, órgãos de aplicação da lei em toda a região, com apoio da INTERPOL, estão ampliando os esforços conjuntos para combater a cibercriminalidade”, disse a organização.

“Isso inclui a coordenação de operações contra a infraestrutura de cibercriminosos, investigações colaborativas, iniciativas de treinamento especializado e a criação de políticas para melhorar a resiliência cibernética.”

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