Uma petição judicial recém-divulgada em parte alega que o Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) criou dossiês sobre pessoas que observavam as operações do ICE. Os registros incluiriam fotos, números de placas de veículos e outras informações. Segundo o documento, os dados eram armazenados em um sistema altamente personalizado chamado Investigative Case Management (ICM), desenvolvido com software proprietário da Palantir e hospedado pela empresa.
A Palantir não havia respondido a pedidos de comentário até a publicação da reportagem original. Em declarações anteriores, a empresa afirmou: “A Palantir não tem acesso irrestrito aos dados fornecidos por nossos clientes. Também não compartilha, transfere, monetiza nem usa esses dados de qualquer outra forma para fins comerciais próprios.”
Um porta-voz do DHS classificou o processo como “sem mérito” e afirmou que “a ação judicial se baseia na mentira de que existe um banco de dados de ‘terroristas domésticos’ administrado pelo DHS”.
Na petição, baseada em grande parte em documentos fornecidos pelo governo e em depoimentos de agentes do DHS, os autores alegam que agentes costumavam intimidar manifestantes e observadores. Segundo o documento, eles passavam de carro diante das casas dessas pessoas e, no caso de pelo menos uma observadora, determinaram que ela fosse encaminhada à inspeção secundária sempre que tentasse cruzar a fronteira, pelo menos até janeiro de 2027.
“O governo está tratando como suspeitas de crimes pessoas que exercem os direitos garantidos pela Primeira Emenda e tentam responsabilizá-lo. É isso que pedimos ao tribunal que impeça”, afirma JoAnna Suriani, advogada da Protect Democracy que representa os observadores do ICE no processo.
A petição trata da conduta de agentes durante a “Operação Catch of the Day”, uma intensificação das ações de fiscalização migratória realizada no Maine em janeiro deste ano. O documento faz parte de uma ação coletiva proposta na Justiça federal do estado por quatro observadoras: Elinor Hilton, Colleen Fagan, Polyxenia Pantos e Carlyn Williams. A ação foi protocolada sob sigilo em setembro, e uma versão com trechos ocultados foi divulgada na sexta-feira.
O documento detalha, em particular, como um agente do DHS identificado como “Agente J.C.” usou o banco de dados Investigative Case Management (ICM) para sinalizar observadores. O governo descreve o ICM como o sistema de gestão de casos usado pela Homeland Security Investigations (HSI), uma divisão do ICE, para registrar investigações.
Segundo a petição, J.C. criou registros no ICM sobre pelo menos seis observadores. O governo afirma que eram oito pessoas. O agente classificou duas pessoas que filmou no estacionamento de uma loja Home Depot como “ameaça às forças de segurança” e “manifestantes profissionais”, segundo o documento. Também enviou fotos delas e de outras pessoas a um agente da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP), para que ele fizesse uma pesquisa de reconhecimento facial usando um aplicativo chamado Mobile Query.
Publicidade
Tenha acesso aos melhores hackers éticos do mercado através de um serviço personalizado, especializado e adaptado para o seu negócio. Guardsi: qualidade, confiança e especialidade em segurança ofensiva de quem já protegeu centenas de empresas. Saiba mais...