ICE aposta em tecnologia para ampliar monitoramento interno
5 de Janeiro de 2026

Enquanto a Casa Branca intensifica investigações internas sobre vazamentos, o Immigration and Customs Enforcement (ICE) renova discretamente um contrato de cibersegurança responsável por monitorar, registrar e preservar as atividades dos funcionários nos sistemas da agência para fins investigativos.

Conhecida como Cyber Defense and Intelligence Support Services, essa operação é apresentada como um esforço rotineiro de segurança, focado no monitoramento de redes, resposta a incidentes e práticas básicas de higiene digital.

No entanto, documentos contratuais recentes analisados pela WIRED mostram que o ICE busca ampliar e aprimorar a coleta de logs digitais e dados de dispositivos para investigações internas e uso das autoridades competentes.

Os registros indicam que o ICE avança na recompetiçao — processo de renovação e reemissão de um contrato federal relevante — enquanto a liderança do Departamento de Segurança Interna (DHS) amplia as investigações sobre vazamentos e intensifica o monitoramento do uso dos sistemas pelos funcionários.

Detalhes do contrato descrevem métodos para manter registros abrangentes das atividades digitais, utilizar ferramentas automatizadas para detectar padrões e anomalias, além de integrar as operações de cibersegurança aos escritórios investigativos do ICE, acelerando o uso desses dados em casos internos.

Além do monitoramento interno, o contrato prevê uma operação ampla de cibersegurança, que inclui vigilância constante das redes do ICE, alertas automáticos para comportamentos suspeitos e análise rotineira dos logs coletados de servidores, estações de trabalho e dispositivos móveis.

Uma exigência fundamental é que esses dados sejam armazenados e organizados para possibilitar a reconstrução detalhada de incidentes, seja para revisões de segurança ou investigações formais.

A gestão dessa atividade está a cargo do Office of the Chief Information Officer do ICE, responsável pelo centro de segurança da agência.

Ainda assim, o contrato foi estruturado para facilitar a troca de informações entre diferentes departamentos.

Os resultados das análises cibernéticas devem ser compartilhados com unidades investigativas e de supervisão, como o Homeland Security Investigations e o Office of Professional Responsibility do ICE, responsável por casos de má conduta dos funcionários.

Essa integração permite que dados digitais coletados para segurança cibernética sejam rapidamente encaminhados para investigações internas quando solicitado.

O ICE não respondeu ao pedido de comentário.

A ampliação do monitoramento interno ocorre em um contexto no qual a administração Trump passou a encarar a dissidência dentro das agências federais como uma ameaça, adotando postura agressiva para identificar e remover funcionários de carreira considerados ideologicamente desalinhados com o governo, especialmente nas áreas de segurança nacional e aplicação da lei.

Desde o retorno de Trump ao governo, a Casa Branca tem tratado a dissidência interna não como má conduta ou tentativa deliberada de prejudicar o governo, mas explicitamente em termos de lealdade, considerando o desacordo político com os objetivos do presidente como motivo para demissão.

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