Um cidadão com nacionalidades ucraniana e russa declarou-se culpado de comandar uma operação de lavagem de dinheiro em larga escala, que movimentou milhões de dólares para criminosos cibernéticos de vários países.
Oleg Korniev, de 42 anos, era um dos líderes da Your Mule Cashout (YMCO), organização criminosa em atividade desde setembro de 2007. O grupo utilizou mais de 15.000 mulas de dinheiro nos Estados Unidos.
Outras quatro pessoas ligadas à YMCO foram presas no exterior há mais de uma década, extraditadas para o Distrito Oeste da Carolina do Norte e se declararam culpadas de conspiração para cometer lavagem de dinheiro. Elas receberam penas de prisão de 37 a 63 meses e foram condenadas a pagar, cada uma, mais de US$ 9,1 milhões em indenizações a vítimas nos Estados Unidos.
Korniev administrava, contratava e demitia funcionários da YMCO, além de recompensá-los ou puni-los conforme o desempenho. Ele também ajudou a criar as regras e os procedimentos da operação de lavagem de dinheiro.
Segundo documentos judiciais, a YMCO recrutava moradores dos Estados Unidos como mulas de dinheiro por meio de mensagens não solicitadas enviadas em nome de empresas falsas. Cada candidato passava por um processo de contratação aparentemente legítimo e era informado de que processaria pagamentos para empresas legais.
Criminosos cibernéticos enviavam dinheiro roubado para as contas bancárias das mulas, que, segundo a acusação, transferiam os valores ilícitos pela Western Union e pela MoneyGram a intermediários responsáveis por sacar o dinheiro na Moldávia, na Ucrânia, na Rússia ou na Letônia.
A YMCO também teria conduzido esquemas semelhantes na Alemanha, na Itália, no Reino Unido e na Austrália. A organização movimentou mais de US$ 10 milhões roubados por grupos criminosos cibernéticos de mais de 750 contas bancárias nos Estados Unidos, mantidas em mais de 35 instituições financeiras.
“As mulas de dinheiro desempenham um papel fundamental no crime cibernético. Por isso, o Departamento de Justiça busca responsabilizar tanto elas quanto seus recrutadores, onde quer que atuem e pelo tempo que for necessário”, afirmou o procurador-geral adjunto A. Tysen Duva.
Na quinta-feira, Korniev declarou-se culpado de lavagem de dinheiro, roubo de identidade agravado, conspiração para cometer lavagem de dinheiro, conspiração para cometer fraude informática e conspiração para roubar dispositivos de acesso.
Ele pode receber uma pena de, no mínimo, dois anos e, no máximo, 50 anos de prisão. Korniev admitiu que a operação de lavagem de dinheiro conduzida por ele e seus cúmplices causou mais de US$ 14,7 milhões em prejuízos reais e previstos a vítimas identificadas.
Ele também confirmou ter lavado pelo menos US$ 7 milhões dos US$ 9,7 milhões recebidos de criminosos cibernéticos.
Há cinco anos, a Europol informou que autoridades policiais de 27 países prenderam 1.803 mulas de dinheiro entre as 18.351 identificadas durante uma operação internacional de combate à lavagem de dinheiro, batizada de EMMA (European Money Mule Action).
As mulas de dinheiro têm papel central em fraudes pela internet e, muitas vezes, aceitam participar por desespero. Em outros casos, fraudadores as obrigam a assumir essa função por meio de ameaças.
“Grupos do crime organizado recrutam essas pessoas ao explorar a situação de estudantes, imigrantes e pessoas em dificuldades financeiras. Para isso, oferecem dinheiro fácil em anúncios de emprego com aparência legítima e publicações nas redes sociais”, alertou a Europol na época.
“A lei não aceita a ignorância como justificativa em casos de lavagem de dinheiro por meio de mulas. Essas pessoas infringem a lei ao lavar os lucros ilícitos de crimes.”
Publicidade
Nossa audiência é formada por analistas, pentesters, decisores e entusiastas que consomem nossas notícias todo dia pelo Site, Newsletter e Instagram. Fale com quem realmente importa para o seu negócio. Anuncie aqui. Saiba mais...