Hackers usam servidor web CWP adulterado para instalar backdoor em servidores Linux
6 de Novembro de 2026

Um novo malware para Linux, chamado CWPdoor, está sendo distribuído por meio de uma versão adulterada do cwpsrv, servidor web usado pela interface de gerenciamento Control Web Panel (CWP).

O CWPdoor funciona como uma backdoor passiva, que permanece inativa no sistema comprometido até que o invasor envie uma solicitação especialmente preparada.

Pesquisadores do XLab, braço de pesquisa em cibersegurança do QiAnXin Technology Group, descrevem o CWPdoor como “excepcionalmente furtivo”, graças à ativação passiva e ao recurso que suprime registros de atividade.

O CWP, anteriormente chamado CentOS Web Panel, é uma solução open source de administração de hospedagem na web, semelhante ao cPanel e ao Plesk. A ferramenta permite gerenciar servidores web e serviços como e-mail, DNS e bancos de dados.

Segundo o XLab, mais de 340.000 instâncias do CWP estavam expostas à internet pública no último mês.

Os pesquisadores encontraram o malware CWPdoor em 29 de junho, após capturar um script que se passava por uma ferramenta de atualização e substituía o arquivo binário legítimo do cwpsrv por uma versão maliciosa.

O script substitui os binários das versões 1.15.10 e 1.24.0 do cwpsrv e adota várias medidas para ocultar a alteração, como restaurar os timestamps de arquivos e diretórios, excluir arquivos temporários e apagar o histórico de comandos.

Os operadores do malware ativam a backdoor enviando comandos para execução em um cabeçalho HTTP criptografado, chamado X-Ngx-Integrity-Data. A solicitação também inclui os cabeçalhos X-Ngx-Integrity-Time, com o timestamp, e X-Ngx-Integrity-Sig, com a assinatura RSA.

Os comandos e as respostas são criptografados com AES-256-CBC.

Antes de descriptografar o comando e encaminhá-lo a um processo auxiliar para execução, a backdoor verifica se o timestamp está dentro de uma janela de cinco minutos e valida a assinatura RSA.

“Alterar o timestamp ou o texto cifrado de forma independente invalida a assinatura”, explica o XLab.

“Ao vincular os três campos e impor uma janela de ±300 segundos, o mecanismo oferece proteção contra repetição e controle de autorização.”

A backdoor também interfere no módulo de logging do servidor para impedir que a solicitação de ativação apareça nos logs de acesso.

Depois de encontrar o script usado na infecção inicial, os pesquisadores observaram que o CWPdoor foi enviado ao VirusTotal em 30 de setembro, dentro de um arquivo compactado que também continha a backdoor Ebury.

O que chamou a atenção foi que o arquivo malicioso do cwpsrv, identificado como “cwpsrv.suspect”, não havia sido detectado por nenhum mecanismo.

“Isso indica que a campanha não era apenas experimental: já existem vítimas reais em atividade”, afirmam os pesquisadores. Eles acrescentam que a relação entre o Ebury e o CWPdoor ainda não está clara.

O Ebury é uma backdoor para Linux e uma operação de botnet voltada ao roubo de credenciais, ativa desde pelo menos 2009. Em um relatório publicado em maio de 2024, a empresa de cibersegurança ESET afirmou que o malware havia infectado quase 400.000 servidores desde que surgiu.

Os pesquisadores recomendam que administradores procurem o socket Unix ngx_http_integrity_helper, processos auxiliares suspeitos do cwpsrv e sequências X-Ngx-Integrity no arquivo binário do servidor.

Se a invasão for confirmada, é necessário substituir o arquivo binário comprometido por uma cópia legítima, atualizar o sistema para a versão mais recente, trocar todas as credenciais do painel de controle e investigar o servidor em busca de outros malwares.

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