Hackers são presos por fraude bancária de € 30 milhões explorando falha em service provider
17 de Agosto de 2026

Quatro cibercriminosos foram presos no Brasil, e outros três foram denunciados na Europa, sob a acusação de terem explorado uma vulnerabilidade em um provedor de serviços para permitir saques indevidos nas contas bancárias de clientes do Commerzbank.

O furto, investigado pela Polícia Federal brasileira e pela polícia federal alemã, ocorreu ao longo de quatro dias em novembro de 2023 e causou prejuízos de cerca de € 30 milhões, o equivalente a US$ 34,6 milhões.

Embora nem a Polícia Federal nem o BKA, da Alemanha, tenham nomeado a instituição financeira afetada, a imprensa brasileira identificou o banco como o Commerzbank, uma grande instituição financeira europeia que fatura mais de € 11,1 bilhões, cerca de US$ 12,8 bilhões, por ano.

O banco confirmou que seus clientes foram impactados pela atividade fraudulenta, mas afirmou que não houve perdas financeiras para os correntistas.

"O caso de fraude é conhecido e remonta a 2023. Devido a problemas técnicos em um provedor de serviços, débitos automáticos não autorizados foram feitos em contas de clientes. Não houve perda financeira para os clientes. Cooperamos de forma próxima e ampla com as autoridades", informou um porta-voz do Commerzbank ao Bleeping Computer.

As autoridades alemãs afirmam que os hackers exploraram uma falha de software introduzida por uma atualização defeituosa no sistema de pagamentos e processamento de transações de uma instituição financeira.

Em novembro de 2023, os atacantes iniciaram várias retiradas não autorizadas de diferentes contas de internet banking na Alemanha e enviaram os valores roubados para o Brasil por meio de uma rede mais ampla, criada para ocultar a origem do dinheiro.

Segundo as autoridades, a maior parte dos recursos foi sacada no Brasil, enquanto uma parcela menor foi convertida em dinheiro em quatro países europeus.

A polícia identificou outros três suspeitos na Europa, que serão processados na Espanha e na Bulgária pelas autoridades locais.

Os investigadores concluíram que os atacantes movimentaram e ocultaram os valores por meio de contas de passagem, empresas, instituições de pagamento, plataformas de ativos virtuais e cartões de pagamento emitidos sem o consentimento dos beneficiários.

Ontem, a Polícia Federal deflagrou a Operação Klonen, com apoio do BKA, e cumpriu 21 mandados de busca e apreensão em sete cidades brasileiras.

A ação resultou na prisão de quatro suspeitos, por meio de mandados de prisão preventiva, no Rio de Janeiro, em Guarulhos, Goiânia e Carapicuíba.

As autoridades brasileiras constataram que um dos suspeitos disputou um cargo eletivo em 2024 e usou parte dos recursos ilícitos para financiar a campanha política.

A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens financeiros, veículos e imóveis no valor de até R$ 106 milhões, o equivalente a US$ 22,4 milhões.

Os suspeitos presos respondem por diversos crimes, incluindo furto qualificado por fraude eletrônica, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro.

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