Hackers roubam dados da agência de assistência jurídica do Reino Unido, com registros que remontam a 1978
16 de Outubro de 2026

A Legal Aid Agency (LAA), órgão executivo do Ministério da Justiça do Reino Unido responsável pela assistência jurídica pública no país, afirma que invasores que violaram seus sistemas de TI em abril de 2025 roubaram registros que remontam a 1978.

A agência emprega cerca de 1.250 pessoas, administra bilhões em recursos destinados à assistência jurídica e trabalha com aproximadamente 2.000 prestadores de serviços, entre eles advogados, escritórios de advocacia e organizações sem fins lucrativos que oferecem assistência jurídica nas áreas civil e criminal na Inglaterra e no País de Gales.

A LAA revelou o ataque cibernético no início de maio de 2025 e alertou que informações de pagamento dos prestadores de assistência jurídica poderiam ter sido comprometidas.

Duas semanas depois, confirmou que o data breach era mais grave do que se imaginava inicialmente. A agência descobriu que os invasores haviam roubado um grande volume de dados sensíveis de solicitantes e beneficiários desde 2010, incluindo informações de contato, datas de nascimento, números de identificação nacional, histórico criminal, situação profissional, valores de contribuições, dívidas e pagamentos.

Os threat actors também roubaram dados de prestadores de assistência jurídica, como contratos, endereços de escritórios, informações financeiras, dados de contato e credenciais do Portal Online da LAA, incluindo nomes e endereços de e-mail.

Em uma atualização publicada nesta semana, a LAA informou que uma análise complementar dos dados exfiltrados revelou que os registros roubados remontam a quase cinco décadas.

“A grande maioria dos dados da LAA diz respeito a solicitações, reivindicações ou pagamentos enviados à agência entre janeiro de 2007 e 16 de maio de 2025, ou a casos que estavam ativos nesse período. No entanto, agora confirmamos que aproximadamente 250.000 registros são anteriores a 2007”, afirmou a agência. “A esmagadora maioria desses registros é das décadas de 1990 e 2000, e apenas uma parcela muito pequena é anterior a 1990. O registro mais antigo confirmado até o momento é de 1978.”

A agência ressaltou, porém, que a existência de registros anteriores a 2007 não significa que todas as pessoas que receberam ou solicitaram assistência jurídica, ou que tiveram contato com o sistema de Justiça antes desse ano, tenham sido afetadas.

Segundo o Bleeping Computer, um porta-voz do Ministério da Justiça afirmou: “Reconhecemos que incidentes dessa natureza são preocupantes para todas as pessoas afetadas. Por isso, publicamos informações no GOV.UK o mais rápido possível e continuamos a atualizá-las à medida que entendemos melhor o ataque cibernético. Antes do ataque, já havíamos destinado £ 20 milhões para estabilizar e modernizar os sistemas digitais da Legal Aid Agency. Agora, estamos investindo mais de £ 200 milhões na modernização de serviços digitais, no aumento da resiliência e no reforço da segurança cibernética dos serviços de assistência jurídica. Até o momento, não há evidências de que dados pessoais que se acredita terem sido exfiltrados tenham sido publicados.”

Após o incidente na LAA, uma série de ataques cibernéticos atingiu as redes varejistas britânicas Co-op, Harrods e Marks & Spencer (M&S). A operação de ransomware DragonForce reivindicou a autoria dos ataques. Em seguida, o Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido (NCSC) publicou orientações e recomendou que as organizações do país as seguissem para reforçar suas defesas de segurança cibernética.

Em janeiro, o Reino Unido também anunciou uma nova estratégia de segurança cibernética, apoiada por mais de £ 210 milhões (US$ 283 milhões), para fortalecer as defesas de órgãos governamentais e do setor público em geral.

Nesta semana, o Housing Ombudsman Service, órgão público independente vinculado ao Ministério da Habitação que resolve disputas entre moradores de habitações sociais e proprietários na Inglaterra, informou que está investigando um incidente de segurança de TI envolvendo um terceiro, que afetou seu sistema de gestão de casos.

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