Hackers ligados ao Irã sabotam infraestrutura de energia e água nos EUA
20 de Abril de 2026

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaça destruir em massa a infraestrutura do Irã em meio à escalada da guerra, o país parece já ter respondido com sua própria forma de sabotagem: uma campanha de ataques cibernéticos contra sistemas de controle industrial em território americano, incluindo serviços de energia e água, que, segundo agências dos EUA, já provocou efeitos disruptivos e custos elevados.

Em um comunicado conjunto publicado na terça-feira, órgãos como o FBI, a NSA, o Departamento de Energia e a CISA alertaram que um grupo de hackers ligado ao governo iraniano mirou dispositivos de controle industrial usados em diversos alvos de infraestrutura crítica, incluindo o setor de energia, concessionárias de água e esgoto, além de “instalações governamentais” não especificadas.

Segundo as agências, os atacantes exploraram controladores lógicos programáveis (PLCs), dispositivos projetados para permitir o controle digital de máquinas físicas, em instalações desse tipo, inclusive modelos vendidos pela Rockwell Automation, aparentemente com a intenção de sabotar os sistemas.

Ao comprometer esses PLCs, os hackers buscaram alterar informações exibidas em telas de sistemas de controle industrial, o que, em alguns cenários, pode causar indisponibilidade, danos e até condições perigosas.

“Em alguns casos, essa atividade resultou em interrupção operacional e perda financeira”, diz o comunicado, embora sem detalhar a gravidade desses impactos.

“É amplamente documentado que atores iranianos miram sistemas de controle industrial e os veem como um ponto de pressão”, afirma Rob Lee, cofundador e CEO da Dragos, empresa de cibersegurança focada em sistemas industriais.

Segundo ele, a companhia respondeu a múltiplos incidentes contra ambientes industriais desde o início da guerra contra o Irã no mês passado.

“Vimos tanto atores estatais quanto não estatais no Irã representarem um risco real e demonstrarem disposição para ferir pessoas ao comprometer esses sistemas.

Acredito totalmente que eles continuarão pressionando e mirando os locais aos quais conseguirem acesso.”

A Rockwell Automation afirmou em nota que “leva a sério a segurança de seus produtos e soluções e tem atuado em coordenação próxima com agências governamentais em relação ao comunicado desta terça-feira”, além de direcionar clientes a documentos publicados pela empresa com orientações para reforçar a proteção de seus PLCs.

Embora o comunicado não atribua a campanha a um grupo específico, ele observa que os ataques são semelhantes aos realizados pelo grupo ligado ao Irã conhecido como CyberAv3ngers, ou Shahid Kaveh Group, desde o fim de 2023.

Esse grupo de hackers, que se acredita atuar em nome da Guarda Revolucionária Iraniana, conduziu várias ondas de ataques contra alvos israelenses e americanos nos últimos anos, inclusive ao obter acesso a mais de 100 dispositivos da Unitronics, fabricante de tecnologia para sistemas de controle industrial amplamente usados em redes de água e esgoto.

Nessa campanha, o CyberAv3ngers alterou os nomes dos dispositivos da Unitronics para “Gaza”, em referência à invasão israelense do território após os ataques do Hamas em 7 de outubro, e modificou as telas para exibir o logotipo do grupo.

Apesar da aparência inicial de simples vandalismo, empresas de cibersegurança industrial que acompanharam os ataques, como Dragos e Claroty, disseram que os hackers corromperam profundamente o código dos equipamentos da Unitronics, a ponto de causar interrupções em redes de serviços de água de Israel à Irlanda, além de uma instalação em Pittsburgh, na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

“As ações contra a Unitronics mostraram que a IRGC tem capacidade de ataques cibernéticos em sistemas de controle industrial”, diz Grant Geyer, diretor de estratégia da Claroty.

“Se você observar o manual de estratégias da IRGC, verá que eles sabem que não podem competir no campo militar tradicional.

Então, tentam causar interrupção no ambiente cibernético usando técnicas de guerra assimétrica.”

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