Hackers exploram o software ViPNet para atacar órgãos do governo russo
20 de Julho de 2026

Um threat actor avançado está abusando do mecanismo de atualização da suíte de networking privado ViPNet para atingir organizações russas, incluindo órgãos governamentais.

Batizada de HelloNet, a campanha está ativa desde pelo menos maio e distribui um payload malicioso que funciona como proxy e loader para outros malwares.

Segundo pesquisadores da Kaspersky, a HelloNet já afetou organizações dos setores de governo, energia, transporte, educação e logística.

O ViPNet é uma família de produtos de segurança da informação desenvolvida pela InfoTeCS, que oferece proteção de VPN, endpoint e acesso à rede, firewall, gerenciamento de certificados, administração centralizada e mensagens e transferência segura de arquivos.

A ferramenta é amplamente usada na Rússia, onde recebe certificação das autoridades para uso em órgãos públicos e outros ambientes regulados.

Por sua ampla presença no mercado russo, especialmente entre organizações de alto valor, o ViPNet costuma ser alvo frequente de hackers.

Em abril de 2025, a Kaspersky relatou que threat actors se passaram por uma atualização do ViPNet em ataques.

Na campanha mais recente, os atacantes colocaram um arquivo malicioso, o wtsapi32.dll, apelidado de HelloInjector, dentro do diretório local do ViPNet Update System para que ele fosse carregado junto com o sistema pelo legítimo itcsrvup64.exe na inicialização.

Essa DLL é o loader da primeira etapa, que injeta código no processo svchost.exe, concedendo aos payloads da fase seguinte privilégios elevados no Windows e persistência após reinicializações.

A Kaspersky não detalha como os atacantes obtiveram acesso inicial para fazer essa alteração de arquivo, nem afirma que a infraestrutura de atualização do próprio ViPNet tenha sido comprometida.

O HelloInjector executa o payload incorporado, que a Kaspersky chamou de HelloProxy, na memória e se comunica com o servidor de command and control (C2) para receber módulos adicionais.

Um desses módulos é o HelloExecutor, um backdoor capaz de executar comandos e realizar reconhecimento da rede no host.

Outro é o HelloCleaner, uma ferramenta que remove dados de log do ViPNet para ocultar a atividade maliciosa.

Há ainda um implante chamado HelloBackdoor, escrito em Rust, com suporte para upload e download de arquivos, além de execução de comandos.

A Kaspersky atribuiu a campanha, de forma preliminar, a um grupo APT de língua chinesa não identificado.

Ainda assim, os pesquisadores destacaram que as evidências são fracas e se baseiam principalmente em uma string não usada que faz referência ao site chinês sina.com e em um espelho de download do malware hospedado pela Universidade de Ciência e Tecnologia da China.

Por esse motivo, a atribuição foi classificada com baixa confiança, e a empresa não descarta a possibilidade de uma operação de falsa bandeira.

A empresa de cibersegurança recomenda monitoramento rigoroso dos sistemas que executam o software ViPNet, especialmente do tráfego que passa pelas portas 5003, 5060, usada pelo HelloProxy, e 443, usada pelo HelloBackdoor.

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