Hackers exploram falhas conhecidas em ataques zero-click contra dispositivos iOS e Android
4 de Novembro de 2026

Uma campanha em larga escala associada a hackers russos comprometeu sites frequentados por seus alvos e mirou usuários de iOS e Android que acessavam páginas invadidas ou falsas, criadas para imitar portais legítimos.

A operação comprometeu sites de grande visibilidade nos Estados Unidos, na Ucrânia, na República Tcheca e na Bulgária. Todos distribuíam o mesmo payload, que traçava o perfil dos visitantes e de seus dispositivos.

Essa etapa inicial permitia ao atacante identificar a versão do navegador e, em seguida, implantar “cadeias de exploits específicas para cada plataforma, sem interação do usuário”.

Pesquisadores da empresa de cibersegurança Sekoia atribuem a operação, com confiança de moderada a alta, ao APT29, também conhecido como Midnight Blizzard. O grupo russo foi recentemente associado a ataques contra redes Wi-Fi de hotéis.

Segundo a análise, os sites legítimos comprometidos pertencem a uma produtora de gás ucraniana, a uma associação do setor químico dos Estados Unidos e a um site relacionado às Forças Armadas da Bulgária.

Domínios semelhantes aos oficiais imitaram o site America250 e o hotel Raffles London at The OWO, reproduzindo o conteúdo das páginas verdadeiras em um ataque do tipo adversary-in-the-middle (AiTM).

Os pesquisadores também descobriram que o grupo comprometeu a empresa ucraniana de análise da web Plerdy e alterou seu rastreador de otimização para mecanismos de busca (SEO). O código era carregado por milhares de sites, principalmente na Ucrânia, entre 27 de agosto e 3 de setembro.

Em todos os casos, o payload inicial consistia em código JavaScript que traçava o perfil dos visitantes para identificar seus dispositivos e as versões de seus navegadores. Em seguida, o servidor C2 enviava a cadeia de exploits adequada.

De acordo com a Sekoia, os hackers exploraram as seguintes vulnerabilidades para roubar cookies, bancos de dados de aplicativos de mensagens e credenciais:

- **CVE-2025-43529 e CVE-2024-27834 **, no iOS 16.7. O payload mira cookies armazenados no Safari.
- **CVE-2025-43529, CVE-2026-20700 , CVE-2025-14174 , CVE-2025-43510 e CVE-2025-43520 **, no iOS 18.5. O payload coleta bancos de dados do WhatsApp e do Telegram, credenciais do Keychain, dados de localização e fotos.
- **CVE-2026-3910 e CVE-2025-27038**, no Chrome para Android, nas versões 139 a 145, exceto a 143. A ferramenta AndroSnitch coleta cookies do Chrome, dados de acesso, histórico de navegação e credenciais de redes Wi-Fi salvas.

Os pesquisadores identificaram outras quatro vulnerabilidades em trechos de código inalcançáveis ou em caminhos alternativos de exploração, mas elas não foram usadas nas cadeias analisadas.

A CVE-2025-43529 está associada ao conjunto de exploits “DarkSword”, documentado pela primeira vez em março e usado em ataques desde pelo menos novembro de 2025 por vários grupos.

A Sekoia afirma que nenhum dos payloads empregados pelo APT29 nesses ataques estabeleceu persistência. Assim, reiniciar o dispositivo interrompe a atividade maliciosa até que o usuário volte a acessar um site comprometido.

Para atribuir a operação ao APT29, a Sekoia aponta semelhanças com ataques anteriores do grupo contra sites frequentados pelos alvos, sobreposição de infraestrutura e um site comprometido que um parceiro associou a uma campanha do APT29 em 2025.

A Apple e o Google corrigiram todas as falhas exploradas na campanha, inclusive em versões antigas do iOS. A recomendação é instalar as atualizações de segurança mais recentes disponíveis para cada dispositivo.

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