Ahmad Umar Agha, hacker da Syrian Electronic Army conhecido na internet como “Th3Pr0”, foi condenado por um tribunal federal dos Estados Unidos a 42 meses de prisão por participar de uma conspiração para invadir sistemas de veículos de comunicação ocidentais.
A conspiração foi organizada e liderada por integrantes do círculo próximo do ex-presidente sírio Bashar al-Assad, entre eles o comandante da Syrian General Intelligence Directorate, informou o Departamento de Justiça dos EUA em 29 de outubro.
Favorável a Assad, a Syrian Electronic Army iniciou seus ataques em 2011. Segundo um documento do FBI de 2014, integrantes do grupo enviavam mensagens de phishing para roubar senhas de funcionários. Depois, usavam essas credenciais para desfigurar sites, redirecionar o tráfego da internet e sequestrar contas em redes sociais.
Em 23 de abril de 2013, o grupo tomou o controle da conta da Associated Press no Twitter e publicou uma notícia falsa afirmando que o então presidente Barack Obama havia se ferido em duas explosões na Casa Branca.
De acordo com o documento do FBI, a mensagem do Twitter para redefinir a senha da conta foi enviada a um endereço do Gmail usado principalmente por Agha.
O Departamento de Justiça afirmou que Agha realizou a invasão, que provocou uma queda temporária de US$ 136 bilhões no valor de mercado das empresas que compõem o Dow Jones Industrial Average. Mais tarde, Agha disse ao Business Insider que provocar uma grande queda no índice “era nosso objetivo com aquele ataque” e que “foi uma grande vitória para nós”.
Agha foi acusado pela primeira vez em junho de 2014, em uma denúncia que permaneceu sigilosa até março de 2016. Naquele mês, o FBI incluiu Agha e o corréu Firas Dardar na lista Cyber’s Most Wanted e ofereceu uma recompensa de US$ 100 mil. Um grande júri federal denunciou os dois em maio de 2018.
O site Court Watch informou, em dezembro de 2025, que Agha estava sob custódia nos Estados Unidos e havia comparecido a um tribunal federal no mês anterior.
Três documentos públicos anteriores do caso não mencionam autoridades sírias como organizadoras ou líderes do grupo: o documento do FBI de 2014, o anúncio das acusações feito pelo Departamento de Justiça em março de 2016 e o comunicado sobre a denúncia formal, publicado em maio de 2018.
No anúncio de 2016, o departamento afirmou que o grupo atuava “em apoio” ao governo sírio.
Um estudo inicial sobre o grupo, publicado pela OpenNet Initiative, não encontrou provas confiáveis que o ligassem diretamente ao governo sírio, além do apoio tácito necessário para que um grupo desse tipo operasse em redes sírias.
Ao anunciar a sentença, o Departamento de Justiça também afirmou que a conspiração coletava informações de inteligência para o governo de Assad, que caiu em dezembro de 2024. “Agha empregou suas habilidades de invasão a serviço do regime de Assad para silenciar reportagens sobre as atrocidades do regime, intimidar seus opositores e incitar militares dos EUA a desobedecer às ordens recebidas”, disse John A. Eisenberg, procurador-geral adjunto para Segurança Nacional.
Ao todo, Agha invadiu cerca de 47 veículos de comunicação ocidentais, empresas, organizações sem fins lucrativos e órgãos governamentais dos EUA e de países aliados, informou o departamento.
Ele invadiu a empresa responsável pela hospedagem do site de recrutamento do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e redirecionou os visitantes para uma imagem que incentivava os fuzileiros a desobedecer às ordens e lutar ao lado do Exército Sírio. Cerca de 3.500 pessoas que poderiam ter visitado o site viram a imagem em vez do material de recrutamento.
Agha também tentou duas vezes assumir o controle das contas da Casa Branca em redes sociais, roubando senhas de e-mail de funcionários. Em uma ocasião, acessou a caixa de entrada de um funcionário, mas não conseguiu convencer outros integrantes da equipe a lhe conceder acesso.
O documento do FBI descreve a invasão da conta pessoal de e-mail de um funcionário da Casa Branca em julho de 2013 e afirma que nenhuma conta oficial da instituição foi comprometida.
Segundo documentos judiciais citados pelo Departamento de Justiça, muitas vítimas gastaram grandes quantias para remover os efeitos dos ataques e reforçar a segurança. Uma empresa que fornece conteúdo, anúncios e links a editores digitais perdeu cerca de US$ 35 mil por dia durante aproximadamente seis meses. Uma organização global sem fins lucrativos teve prejuízo de US$ 480 mil, incluindo cerca de US$ 250 mil gastos em novas ferramentas de monitoramento de rede, e precisou treinar novamente mais de 800 funcionários.
Dardar continua foragido, informou o departamento. Ele também foi acusado em um caso separado junto com Peter Romar, cidadão sírio que morava na Alemanha na época. Romar foi extraditado para os EUA e se declarou culpado em 2016.
Publicidade
Nossa audiência é formada por analistas, pentesters, decisores e entusiastas que consomem nossas notícias todo dia pelo Site, Newsletter e Instagram. Fale com quem realmente importa para o seu negócio. Anuncie aqui. Saiba mais...