O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) anunciou na terça-feira a apreensão de um domínio associado à Virtualine, provedora de hospedagem conhecida por ignorar denúncias de abuso.
A medida foi tomada porque o serviço teria sido usado para praticar e facilitar uma série de crimes, incluindo “a divulgação de imagens sexualmente explícitas de menores, a exposição intencional e não consentida de imagens íntimas de adultos e menores e a lavagem internacional de dinheiro para ocultar e promover atividades criminosas”, informou o DoJ.
Quem acessa o domínio “virtualine[.]net” encontra agora uma mensagem informando que ele foi apreendido pelo FBI como parte de uma operação coordenada entre autoridades internacionais e empresas privadas. Participaram da ação a Polícia Estadual de Hessen, o Corpo Nacional de Polícia dos Países Baixos, a Agência Nacional contra o Crime do Reino Unido, a OverRIPE e a Lumen Technologies.
De acordo com documentos judiciais, a Virtualine também operava sob os nomes Secury, Massgod, Spamhouse, Lanedo e Omegatech. A empresa anunciava seus serviços em fóruns de crimes cibernéticos e afirmava que eles poderiam ser usados para phishing, fraudes com cartões, envio de mensagens não solicitadas por e-mail e varredura de portas. A empresa dizia proibir conteúdo envolvendo crianças e atividades terroristas.
Em junho de 2025, no HackForums, a provedora teria se gabado de que “a Virtualine ignorou mais denúncias de abuso do que seus três últimos terapeutas”. Em março de 2026, também começou a oferecer um “plano de proteção adicional”, que prometia transferir a infraestrutura criminosa dos clientes para uma empresa de fachada sem vínculos com a Virtualine caso a empresa recebesse solicitações oficiais de autoridades policiais.
Registros do Internet Archive mostram que os planos básicos custavam de US$ 19,99 por mês, por uma CPU virtual, 2 GB de memória e 30 GB de armazenamento, a US$ 179,99 por mês, por 24 CPUs virtuais, 64 GB de memória e 130 GB de armazenamento. A Virtualine também oferecia planos otimizados para CPU, memória ou armazenamento, com preços entre US$ 21,99 e US$ 379,99 mensais.
“Apesar de anunciar que não permitia ‘conteúdo infantil’ em seus servidores, a Virtualine hospedou conscientemente um site que distribuía esse material, identificado nos documentos judiciais como Fornecedor 1”, afirmou o DoJ. “O Fornecedor 1 é um fórum criminoso na internet que permite aos usuários publicar e vender acesso a imagens e vídeos de menores e adultos nus, sugestivos ou sexualmente explícitos.”
“O Fornecedor 1 também promove um serviço de invasão sob encomenda, no qual usuários podem pagar hackers para acessar contas de vítimas sem consentimento e obter ilegalmente imagens e vídeos explícitos. Em janeiro de 2026, cerca de um mês depois de a Virtualine atribuir um endereço IP ao Fornecedor 1, a empresa começou a receber notificações sobre imagens e vídeos sexualmente explícitos de menores hospedados naquele servidor.”
O Departamento de Justiça afirmou que a Virtualine continuou hospedando os serviços do Fornecedor 1 apesar de receber diversas notificações de autoridades policiais da Alemanha, do Canadá e da Austrália, do Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), nos Estados Unidos, e do advogado de uma vítima.
A Virtualine também é acusada de ter trabalhado em estreita colaboração com o Fornecedor 1 para criar um novo site no qual seus clientes poderiam enviar conteúdo ilícito e baixá-lo após concluir uma compra. Segundo o departamento, o site continua hospedado pela Virtualine.
“O Virtualine.net oferecia várias opções de pagamento aos clientes da empresa, incluindo o Fornecedor 1”, afirmou o DoJ. “A Virtualine aceitava pagamentos em BTC sem controles contra lavagem de dinheiro, por meio de endereços específicos de Bitcoin em carteiras não custodiais. Isso permitia que os clientes pagassem diretamente, sem receio de que os fundos fossem sinalizados como ilícitos.”
“Os pagamentos feitos à Virtualine por seus clientes criminosos, alguns deles rastreáveis diretamente a vários grupos criminosos, eram recebidos pela empresa e depois passavam por novas etapas de lavagem para ocultar sua origem.”
Em análise publicada pela própria empresa, a Chainalysis afirmou que a Virtualine aceitava pagamentos diretos em Bitcoin por meio de endereços de carteiras não custodiais. Assim, clientes criminosos podiam pagar sem acionar verificações de conformidade em corretoras custodiais.
“Os rastros da Virtualine na blockchain mostram conexões diretas com uma ampla parcela do ecossistema de crimes cibernéticos, incluindo operadores de ransomware, infraestrutura de infostealer, fóruns de crimes cibernéticos em língua russa, lojas ilícitas e endereços associados a golpes e phishing”, afirmou a empresa.
Após a apreensão do site, o operador da Virtualine publicou uma carta aberta na qual contestou as acusações de que o serviço teria hospedado conscientemente material de abuso sexual infantil. Ele também afirmou que atendia, em até 24 horas, a solicitações de cooperação relacionadas a esse tipo de material. Em uma publicação no canal da empresa no Telegram, garantiu que os dados dos clientes estavam seguros.
“Quando identificamos material proibido associado ao cliente descrito como ‘Fornecedor 1’, encerramos nossa relação com ele”, acrescentou o operador, afirmando que “a Virtualine fez parte da minha vida durante cinco anos”.
“Peço que não suspeitem de mim nem das dezenas de milhares de clientes que confiaram na Virtualine por causa das ações atribuídas a um único cliente. Quero que saibam que estou disposto a responder às solicitações relacionadas ao ‘Fornecedor 1’.”
Em setembro de 2025, o Spamhaus Project informou que a Virtualine havia expandido suas operações para o AS209800. “Graças a intermediários de endereços IP na Turquia e nos Estados Unidos que aplicam procedimentos frágeis de verificação de clientes, a Virtualine continua obtendo novos blocos IPv4 para viabilizar abusos na internet. Atualmente, o AS209800 é anunciado por meio da aurologic GmbH, uma provedora de hospedagem que também dá suporte a várias outras operações de hospedagem resistentes a denúncias.”
“A perda de um ASN não significa, por si só, que a provedora tenha encerrado as atividades”, afirmou a Silent Push. “A rapidez para obter um novo ASN é parte central do problema, e acreditamos que o processo de registro deveria ser mais rigoroso.”
Publicidade
Tenha acesso aos melhores hackers éticos do mercado através de um serviço personalizado, especializado e adaptado para o seu negócio. Guardsi: qualidade, confiança e especialidade em segurança ofensiva de quem já protegeu centenas de empresas. Saiba mais...