Falha no Azure Cosmos DB expôs key global capaz de acessar qualquer database
31 de Julho de 2026

Uma vulnerabilidade já corrigida no Azure Cosmos DB poderia ter permitido que um invasor escapasse do sandbox de consultas Gremlin do serviço e obtivesse acesso total de leitura e gravação a bancos de dados de diferentes tenants de clientes, segundo a Wiz.

A Wiz, que batizou a cadeia de exploração de CosmosEscape, afirmou que o ataque começava com uma consulta forjada enviada a um banco de dados Gremlin controlado pelo invasor.

A partir daí, a execução de código em um gateway multitenant expunha um segredo de assinatura usado em toda a plataforma e um diretório regional de contas, permitindo aos pesquisadores localizar um alvo e recuperar sua chave primária de conta.

A Microsoft bloqueou o ponto de entrada vulnerável do Gremlin em até 48 horas após o relatório de novembro de 2025.

Segundo a Wiz, a Microsoft concluiu a correção de longo prazo em todas as regiões em julho de 2026 e eliminou a chave usada em toda a plataforma.

A Microsoft informou que sua análise não encontrou atividade não autorizada fora dos testes conduzidos pelos pesquisadores.

A empresa disse ainda que nenhum dado de clientes foi acessado e que nenhuma ação é necessária por parte dos clientes.

A Microsoft e a Wiz foram contatadas para confirmar o escopo afetado, o período de análise dos logs e os pré-requisitos do exploit.

A reportagem será atualizada caso haja resposta.

A cadeia divulgada começa com um banco de dados Gremlin controlado pelo invasor e com as credenciais dessa conta, e não com acesso a um banco de dados da vítima.

O guia atual de conexão da Microsoft exige um host da conta, um banco de dados, um caminho de grafo e a chave primária antes que um cliente possa enviar consultas Gremlin.

A Wiz não informou se o exploit exigia algo além desse ponto inicial.

Segundo o relatório técnico da Wiz, o mecanismo Gremlin personalizado do Cosmos DB traduz consultas Gremlin em código .NET e as executa em um ambiente restrito.

A Wiz disse que essas restrições não consideravam a reflexão do .NET, o que permitiu aos pesquisadores construir primitivas de leitura e gravação de arquivos antes de chegar à execução arbitrária de código.

A divulgação pública mostra a saída de uma consulta forjada que executou o comando hostname no backend do Cosmos DB, mas não revela a consulta em si.

Os pesquisadores afirmaram que apresentarão a cadeia completa em uma palestra na Black Hat USA em 6 de agosto.

A execução de código atingiu um componente que a Wiz chama de DB Gateway, responsável por executar consultas de clientes em clusters multitenant do Azure Service Fabric.

Os bancos de dados dos clientes não eram armazenados nesses clusters, mas o gateway conseguia recuperar a chave primária da conta Cosmos DB solicitada.

A documentação da Microsoft informa que a chave primária de uma conta Cosmos DB concede controle total sobre todos os recursos dessa conta.

As credenciais disponíveis ao gateway também davam acesso a uma chave de assinatura que a Wiz apelidou de Cosmos Master Key.

Segundo a empresa, a chave de assinatura do gateway poderia recuperar a chave primária de qualquer conta em diferentes tenants, regiões e APIs SQL, MongoDB, Cassandra e Gremlin.

O mesmo segredo abria um banco de dados regional chamado Config Store, descrito pela Wiz como um diretório que continha nomes de contas Cosmos DB, identificadores de assinatura e tenant, configurações de rede e tags.

Um invasor poderia usá-lo para localizar as contas de uma organização específica e, em seguida, solicitar suas chaves primárias.

A Wiz afirmou que a cadeia também poderia alcançar contas privadas e isoladas em rede, porque o gateway comprometido aplicava essas barreiras a partir de dentro do próprio serviço.

A capacidade de gravação dos pesquisadores no Config Store sugeria que as configurações de rede também poderiam ser alteradas, embora o relatório não diga se isso foi demonstrado contra a conta de outro cliente.

A documentação da Microsoft informa que dados de mensagens do Teams permanecem no Cosmos DB, enquanto uma publicação de engenharia da Microsoft diz que o Copilot armazena ali as consultas e os históricos de conversas dos usuários.

A Wiz afirmou que os bancos de dados que dão suporte a esses produtos poderiam estar acessíveis, mas não relatou ter acessado seus dados.

O registro público não informa quando o mecanismo vulnerável e o caminho da chave de assinatura entraram em produção nem qual foi o período coberto pela revisão dos logs da Microsoft.

Assim, a duração da possível exposição segue desconhecida, embora o caminho conhecido já tenha sido fechado.

A divulgação não lista um identificador CVE nem uma pontuação de severidade.

O CosmosEscape é tecnicamente separado das falhas ChaosDB e CosMiss, reveladas em 2021 e 2022, que envolviam o recurso Jupyter Notebook do Cosmos DB.

Publicidade

Um novo caminho a ser seguido

Vibecoding cria 10x mais sistemas, 20x mais vulneráveis. E quem ganha com isso é a galera do hacking ético e pentest. Quer ser pago para invadir sistemas? Então você tem que aprender com a Solyd que são os melhores do Brasil. Saiba mais...