Falha no APT do Debian e Ubuntu permite ataque MitM para substituir pacotes verificados e executar código como root
5 de Novembro de 2026

Uma falha no APT, gerenciador de pacotes do Debian e do Ubuntu, permite que um invasor capaz de modificar downloads de pacotes substitua um pacote verificado por outro de sua autoria.

O código do invasor é executado com privilégios de superusuário, segundo comunicados publicados em 4 de novembro pelo projeto Debian, pelo Ubuntu e pelos desenvolvedores do APT. O ataque depende de o APT repetir downloads que falharam. Esse comportamento vem ativado por padrão no Debian 12 e em versões posteriores, assim como no Ubuntu 22.04 e nas seguintes.

O Debian já lançou versões corrigidas do APT para a falha, identificada como CVE-2026-109518 . Os desenvolvedores do APT classificam o problema como crítico e informam que atualizações para o Ubuntu e para o serviço de assinatura Ubuntu Pro estão sendo disponibilizadas. Usuários do Ubuntu 14.04 com Ubuntu Pro já podem instalar uma correção.

Segundo o Ubuntu, versões mais antigas, como o Debian 11 e o Ubuntu 20.04, não são afetadas por padrão. No entanto, muitos scripts de usuários podem ter ativado a opção de repetição `Acquire::Retries` nessas versões, alertam os desenvolvedores do APT.

Às 14h58 UTC de 4 de novembro, o ramo de testes do Debian ainda usava a versão vulnerável 3.3.5. Para o Debian 11, cujo suporte de longo prazo terminou em 31 de agosto, os desenvolvedores do APT publicaram a versão corrigida 2.2.5.

O Ubuntu classifica a falha como de alta prioridade, com pontuação 7,7 no CVSS 4.0. O projeto também afirma que distribuições baseadas no Debian e no Ubuntu são afetadas, mas não identifica nenhuma delas.

Às 14h25 UTC de 4 de novembro, o Ubuntu publicou novas versões do APT em seu repositório de segurança para quatro de suas edições:

- Ubuntu 26.10: 3.3.3ubuntu0.1
- Ubuntu 26.04 LTS: 3.2.1ubuntu0.1
- Ubuntu 24.04 LTS: 2.8.4ubuntu0.1
- Ubuntu 22.04 LTS: 2.4.15ubuntu0.1

Às 15h46 UTC, o Ubuntu ainda classificava como vulneráveis todas as oito versões monitoradas para essa falha, da 14.04 LTS à 26.10.

Segundo o Ubuntu, o invasor pode ser qualquer pessoa capaz de alterar o tráfego HTTP entre o APT e o servidor de pacotes, incluindo quem controla um espelho malicioso ou um servidor intermediário. O ataque ocorre durante a instalação de um pacote. Os desenvolvedores do APT afirmam que o invasor usa redirecionamentos HTTP e erros temporários comuns do servidor para fazer o APT repetir o download.

Max Justicz reportou a falha. Nenhum dos três comunicados descreve ataques que tenham explorado o problema nem apresenta uma solução temporária para sistemas que ainda não podem ser atualizados. Os textos explicam como o ataque funciona por HTTP, mas não informam se fontes de pacotes acessadas por HTTPS também estão expostas.

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