Uma vulnerabilidade sem correção nos roteadores residenciais Calix GS7 XGS (GS5239XG), usados por vários provedores de banda larga nos Estados Unidos, permite que atacantes remotos e sem autenticação criem regras de redirecionamento de portas capazes de expor dispositivos da rede local à internet pública.
A falha é identificada como
CVE-2026-75501
e é descrita como um problema de autenticação ausente que afeta dispositivos com firmware EXOS/6.6.47.
O pesquisador de segurança Brian Khan Quintana descobriu a falha e, após tentar notificar a empresa em 7 de junho sem sucesso, reportou a vulnerabilidade ao CERT Coordination Center da Carnegie Mellon.
Depois de várias tentativas de contato sem resposta, o CERT/CC coordenou a divulgação pública e Quintana publicou os detalhes técnicos.
A Calix é uma fornecedora relevante no mercado de provedores de banda larga dos Estados Unidos, com atuação junto a empresas como Cox Communications, Brightspeed, ALLO, CityFibre e Conexon.
O modelo afetado, GS5239XG, também é vendido como GigaSpire 7u10txg e é um gateway premium que combina recursos de Wi-Fi 7 com um terminal de fibra XGS-PON integrado.
A vulnerabilidade
CVE-2026-75501
ocorre porque o dispositivo expõe o ponto de controle do MiniUPnPd na interface WAN na porta TCP 5000, sem controles de acesso.
“Nas versões de firmware afetadas, o roteador vincula seu serviço SOAP UPnP WANIPConnection à interface WAN pública na porta TCP 5000”, alertou o CERT/CC.
Isso permite que um atacante na internet envie ao dispositivo requisições SOAP sem autenticação para adicionar, excluir ou listar mapeamentos de portas, ou ainda consultar o endereço IP externo.
Na prática, hackers podem contornar os mecanismos de Tradução de Endereços de Rede, o NAT, e as proteções do firewall do roteador, expondo câmeras internas, dispositivos de armazenamento conectado à rede, interfaces administrativas e equipamentos de IoT.
“Uma única requisição sem autenticação, vinda de qualquer lugar do mundo, basta para abrir um buraco permanente no firewall do roteador até qualquer dispositivo dentro de casa. Sem senha. Sem aviso. Nada na tela. A regra sobrevive a uma reinicialização”, afirmou Quintana.
Segundo o pesquisador, um atacante que explore a falha pode criar regras arbitrárias de redirecionamento de portas, excluir mapeamentos existentes, listar os mapeamentos atuais do roteador e obter o endereço IP público.
Quintana testou a descoberta enviando requisições de fora de sua rede doméstica para criar um mapeamento de portas que expôs um endereço interno. O mapeamento, configurado sem prazo de expiração, continuou ativo mesmo após o roteador ser desligado e religado.
Na prática, isso significa que qualquer pessoa na internet pode instruir roteadores Calix vulneráveis a redirecionar tráfego de uma porta pública para um dispositivo escolhido na rede doméstica.
Como não há correção para a
CVE-2026-75501
, Quintana recomenda que usuários do equipamento vulnerável desativem o UPnP pela interface administrativa, em Advanced → Security → UPnP.
O pesquisador observa que essa solução alternativa desativa a abertura automática de portas, da qual alguns jogos dependem, mas ainda é possível abrir portas específicas manualmente.
O CERT/CC também informa que essa configuração pode estar bloqueada em alguns casos e que usuários sem permissão para alterá-la devem entrar em contato com o provedor de internet para solicitar a desativação.
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