Falha crítica no cPanel pode permitir que clientes de hosting executem SQL com privilégios de root no banco de dados
4 de Agosto de 2026

A cPanel corrigiu uma falha que permitia a um cliente autenticado de hospedagem executar SQL no contexto de root do banco de dados, rompendo a barreira de privilégios entre uma conta cPanel e a identidade administrativa do servidor no banco.

A correção foi incluída em uma atualização de segurança direcionada, que também fecha outras duas rotas para contornar limites de conta.

O erro no banco é rastreado como CVE-2026-58048 , com pontuação CVSS 4.0 de 9,4, e afeta todas as versões suportadas de cPanel & WHM, além do WP Squared.

Para explorá-lo, é preciso ter uma conta cPanel válida e acesso ao recurso MySQL/MariaDB.

A partir daí, a empresa afirma que o titular da conta poderia executar comandos arbitrários no banco com privilégios administrativos completos.

Dependendo do sistema operacional e da configuração do mecanismo de banco, isso pode se estender a uma invasão no nível do sistema operacional.

A cPanel corrigiu o CVE-2026-58048 nas seguintes versões:

11.110.0.137
11.118.0.71
11.126.0.78
11.134.0.48
11.136.0.32
138.1.6 para WP Squared

Servidores que não puderem ser atualizados imediatamente podem remover temporariamente o recurso MySQL dos usuários do cPanel.

Isso mantém os bancos já existentes em funcionamento, mas impede que os usuários criem ou removam bancos.

Administradores podem atualizar pelo WHM ou usar o comando documentado pela cPanel:

/usr/local/cpanel/scripts/upcp --force

O reforço da CISA em 4 de agosto registrava “Exploitation: none”, avaliava a falha como não automatizável e classificava seu impacto técnico como total.

Trata-se, porém, de um retrato daquele momento, sem indicar o que ocorreu nos dias seguintes.

Em operação normal, o cPanel permite privilégios no nível do banco sem exigir acesso SUPER ou autorizar modificações globais.

O CVE-2026-58048 contorna essas limitações ao fazer o SQL ser executado no contexto administrativo do banco.

A falha está no processo de renomeação de bancos do cPanel.

O registro da CNA na HackerOne informa que o modo SQL não é preservado quando um banco é renomeado, o que faz o SQL ser executado no contexto de root.

Segundo a documentação de bancos da empresa, o sistema cria um banco substituto, transfere os dados originais, recria permissões e código armazenado e, por fim, remove o banco antigo e suas permissões.

No comunicado, a empresa classifica o problema como escalonamento de privilégio e não usa a expressão SQL injection.

Já a CNA enquadra o mesmo defeito como CWE-89, SQL injection.

Os dois registros descrevem o mesmo bug por ângulos diferentes.

Nem o comunicado nem o registro do CVE identificam a entrada injetada, o modo SQL afetado ou o payload exato.

Também não esclarecem se as subcontas Team User, os logins com permissões limitadas que o dono da conta pode criar, se encaixam na descrição de cliente autenticado caso tenham acesso ao banco.

A classificação Crítica é uma medida de severidade.

Ela não informa quantos servidores têm alguém em posição de usar a falha, e, neste caso, esse universo depende de quem possui contas na máquina: um servidor cujas contas pertencem todas à mesma empresa é uma situação diferente de outro que vende contas a desconhecidos.

A fronteira, porém, não é absoluta, já que contas podem ser alvo de phishing ou revendidas.

E isso também não reduz a consequência, que a CISA avaliou como total.

Mais duas falhas na mesma versão

O CVE-2026-58047 , com pontuação CVSS 4.0 de 5,6, é uma falha de HTTP request-smuggling no cpsrvd, o daemon que atende as interfaces do cPanel e do WHM.

Em condições limitadas, um atacante remoto sem autenticação pode manipular respostas entregues a outros usuários no mesmo servidor.

O registro da CNA afirma que credenciais podem vazar como resultado.

Quando a correção precisar esperar, a alternativa é desativar a reutilização de conexões de backend definindo cpsrvd_keepalives_disabled=1 em /var/cpanel/cpanel.config e reiniciando o cpsrvd.

A cPanel diz que isso força uma nova conexão TCP e TLS para cada requisição nas portas 2083, 2087 e 2096, aumentando a latência e o uso de CPU em servidores com muita carga.

A empresa atribui o relato dos dois CVEs a Vincent55 Yang.

O terceiro comunicado da cPanel trata do GCVE-25-2026-07-45-3 no Exim.

Um arquivo .forward de um usuário local pode acionar expansão de string insegura no roteador de redirecionamento, sob certas configurações de pipe-transport.

Na configuração padrão do cPanel, a expansão e a execução ocorrem como o usuário cPanel, o que, segundo a empresa, pode permitir escalonamento de privilégio a partir de subcontas Team User.

O comunicado do Exim diz que a exploração exige um roteador de redirecionamento com tratamento de .forward, um pipe transport acessível, force_command habilitado nesse transport e execução como um usuário privilegiado.

O Exim 4.99.5 remove a expansão vulnerável.

O Exim 4.99.5 também corrige o GCVE-25-2026-07-45-1, uma falha de alta severidade de traversia de diretório local por meio de argumentos de linha de comando de queue-name.

Segundo o Exim, a falha pode acessar arquivos fora da área spool e ser usada para escalonamento de privilégio.

Os próprios comunicados da cPanel divergem sobre quais versões recebem a correção.

O aviso sobre o banco lista a versão 11.118.0.71 entre as compilações corrigidas, mas os avisos sobre request-smuggling e Exim, publicados na mesma atualização, deixam a ramificação 11.118 fora das listas.

Quem estiver nessa linha deve conferir a versão pontual instalada no aviso do banco, e não confiar apenas nas listas menores.

Nenhum dos comunicados do Exim nomeia um pesquisador.

Ambos creditam “os autores sem nome e sem crédito cujos trabalhos foram incorporados ao corpus de treinamento”.

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