Pesquisadores de cibersegurança divulgaram detalhes de uma campanha de ataque à cadeia de fornecimento de software que comprometeu a extensão oficial do Claude Code para instalar um backdoor SSH persistente em máquinas infectadas.
Segundo a OpenSourceMalware, as extensões afetadas são:
- Open VSX: Claude Code for VS Code (anthropic.claude-code)
- Loja do Microsoft VS Code: Claude Code for VS Code (anthropic.claude-code)
“O pacote se identifica como anthropic.claude-code versão 2.1.313, mas seu principal arquivo JavaScript contém um loader malicioso de 66 linhas, inserido antes do código legítimo da extensão”, afirmou Jenn Gile, cofundadora da OpenSourceMalware, segundo reportagem do The Hacker News.
Em 30/10/2026, a versão maliciosa já havia sido removida, e a Anthropic publicou a versão 2.1.314. Ainda não se sabe como ocorreu o comprometimento.
A extensão foi projetada para ser ativada após a inicialização do VS Code e quando seu painel de visualização integrado é aberto. Em seguida, adiciona uma chave controlada pelo invasor ao arquivo “~/.ssh/authorized_keys” do usuário. A chave recebe o rótulo “svc-telemetry”, numa tentativa de parecer inofensiva.
Depois, a extensão tenta habilitar o acesso à máquina da vítima por SSH em Windows, Linux e macOS, estabelece um túnel reverso para “134.209.82[.]225”, instala mecanismos de persistência específicos para cada sistema, na forma de uma tarefa agendada, uma entrada no crontab ou um LaunchAgent, e envia dados de reconhecimento da máquina para “134.209.82[.]225:8099/beacon” por meio de uma solicitação HTTP sem criptografia.
“Ativar o serviço SSH local exige privilégios de administrador, que a extensão maliciosa não tem na maioria das máquinas com macOS e Windows”, afirmou a Cursor, plataforma de programação com IA, em sua análise do incidente.
“Nesses sistemas, essa etapa falha, e o invasor não conseguiria entrar pelo túnel. Ainda assim, a extensão adiciona a chave SSH do invasor, instala mecanismos de persistência e envia dados da máquina para ele. Siga as medidas de correção abaixo de qualquer forma.”
Os dados coletados incluem:
- Endereço IP público, obtido de api.ipify[.]org
- Nome da máquina e nome de usuário local
- Sistema operacional e arquitetura do processador
- Diretório pessoal e diretório de trabalho atual
- Endereço de e-mail global do Git, obtido pelo comando `git config --global user.email`
- Nomes de até 40 variáveis de ambiente que contenham KEY, TOKEN, SECRET, PASS, AWS ou GCP
“Os valores das variáveis de ambiente não são incluídos diretamente na primeira sinalização”, afirmou o pesquisador de segurança Paul McCarty. “Ainda assim, os nomes podem revelar quais provedores de nuvem, sistemas de integração contínua e tipos de credenciais estão configurados. Mais importante, se o acesso SSH for bem-sucedido, o operador poderá inspecionar a conta diretamente.”
Não foram identificados outros payloads posteriores. Mesmo assim, o túnel reverso cria um caminho até o serviço SSH da vítima, permitindo que o operador execute comandos ou transfira arquivos.
“A extensão foi removida muito rapidamente, mas qualquer pessoa com o Claude Code configurado para atualizar automaticamente pode ter recebido o malware”, disse Gile, segundo reportagem do The Hacker News.
A Cursor informou que o incidente afetou, no máximo, 5.000 usuários que instalaram a versão maliciosa entre aproximadamente 2h27 e 13h35, no horário do Pacífico, em 29/10/2026. Segundo reportagem do The Hacker News, a empresa afirmou que entraria em contato diretamente com eles.
Quem instalou a extensão comprometida nesse período deve desconectar as máquinas da rede, remover a chave SSH não autorizada e os mecanismos de persistência, além de renovar credenciais e sessões.
A divulgação ocorre pouco mais de uma semana depois de um invasor não identificado substituir os arquivos binários de lançamento de cinco versões já publicadas da CLI oficial da OVHcloud (“ovh/ovhcloud-cli”) por um malware que rouba segredos. Os arquivos foram enviados por meio da conta no GitHub de um colaborador legítimo da OVH, “HassenBF”, que havia sido comprometida em março de 2026 durante a operação GlassWorm.
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