A Delta Air Lines está investigando uma rede Wi-Fi não autorizada que apareceu a bordo de um voo de Las Vegas para Atlanta, com passageiros que haviam participado da conferência de hackers DEF CON.
A empresa informou ao Bleeping Computer que o incidente ocorreu ontem no voo 591 e não afetou a segurança dos passageiros nem os sistemas operacionais da aeronave.
“Vamos trabalhar em conjunto com as autoridades federais e os reguladores da aviação para garantir que o incidente seja totalmente investigado”, disse um porta-voz da companhia.
“Uma descoberta inicial é que uma rede Wi-Fi não autorizada, que não foi fornecida, operada ou disponibilizada pela Delta, esteve presente a bordo da aeronave por um curto período durante o voo.”
Ao tomar conhecimento da rede sem fio não autorizada, a tripulação desativou a funcionalidade de Wi-Fi da aeronave por quase 30 minutos.
Segundo relatos publicados na internet, vários passageiros que retornavam da conferência de hacking DEF CON 34 teriam realizado um ataque de desautenticação de Wi-Fi durante o voo, desconectando outros passageiros da rede sem fio da aeronave.
Em um ataque de desautenticação, dispositivos conectados a uma rede Wi-Fi recebem pacotes falsificados que simulam ter sido enviados pelo ponto de acesso legítimo, instruindo-os a se desconectar.
Um invasor pode monitorar o tráfego sem fio para identificar o endereço MAC do ponto de acesso e, em seguida, forjar quadros de desautenticação com o endereço do AP como origem, enviando-os aos clientes conectados.
Ao transmitir repetidamente esses quadros falsificados, o invasor pode desconectar os clientes do ponto de acesso de forma contínua, o que pode causar uma condição de negação de serviço. Redes que usam Protected Management Frames (PMF) ajudam a mitigar esse tipo de ataque de falsificação de quadros de gerenciamento.
Com o envio contínuo dos quadros de desautenticação falsificados, o invasor consegue manter os clientes desconectados do AP legítimo.
Normalmente, hackers usam ataques de desautenticação para forçar os clientes a se reconectarem a um AP malicioso, como um “evil twin”, com o objetivo de interceptar o tráfego ou direcionar as vítimas para páginas maliciosas.
O técnico aeronáutico Turbine Traveller, baseado em Nairóbi, afirma que mensagens enviadas pela tripulação do voo 591 da Delta Air Lines por meio do Aircraft Communications Addressing and Reporting System (ACARS) indicavam que alguns passageiros conseguiram interferir no Wi-Fi da aeronave e transmitir uma rede falsa chamada “Delta WiFi Fast”.
“TEMOS UM GRUPO DE PAX [passageiros] QUE ESTAVA EM UMA CONFERÊNCIA DE CIBERSEGURANÇA EM LAS... ELES CONSEGUIRAM INTERFERIR NO NOSSO WIFI E TRANSMITIR O SINAL DELES.”
“TEMOS UM PAX NESTE VOO QUE CRIOU UM WIFI FRAUDULENTO CHAMADO DELTA WIFI FAST. ACREDITAMOS QUE ELES ESTÃO TENTANDO APLICAR UM GOLPE NOS OUTROS PAX.”
Mary Perrault, integrante de grupos online de viajantes frequentes e sem vínculo formal com a Delta Air Lines, afirma que a rede Wi-Fi falsa exibiu uma página de phishing que coletava “credenciais pessoais e dados de login do Google”.
Depois que a aeronave chegou ao portão, autoridades federais e a polícia do aeroporto embarcaram para interrogar os suspeitos e apreender seus equipamentos portáteis de Wi-Fi, disse Perrault.
Os suspeitos, segundo a apuração, haviam participado da conferência de hackers DEF CON 34 em Las Vegas.
O porta-voz da Delta Air Lines disse ao Bleeping Computer que a aeronave era um Boeing 757, com seis tripulantes e 199 passageiros. A empresa afirmou ainda que não foi declarado estado de emergência junto ao controle de tráfego aéreo.
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