Times de cybersecurity cada vez mais buscam ir além da análise isolada de ameaças e vulnerabilidades.
O foco não é apenas identificar o que pode dar errado (vulnerabilidades) ou quem pode atacar (ameaças), mas compreender onde esses elementos se cruzam no ambiente real da organização, gerando exposições efetivas e exploráveis.
Quais exposições realmente importam? Elas podem ser exploradas por atacantes? Nossas defesas são eficazes? É nesse contexto que a Continuous Threat Exposure Management (CTEM) surge como uma abordagem eficiente para unificar a gestão de ameaças, vulnerabilidades e exposições.
O que é CTEM?
Segundo a Gartner, CTEM é um ciclo contínuo de identificação, priorização e mitigação de exposições exploráveis na superfície de ataque, com o objetivo de fortalecer a postura de segurança da empresa.
Diferentemente de uma análise pontual realizada por ferramentas, CTEM é um modelo operacional composto por cinco etapas:
1. Scoping (Escopo) – Avaliar ameaças e vulnerabilidades para identificar o que é mais relevante: ativos, processos e adversários.
2. Discovery (Descoberta) – Mapear exposições e rotas de ataque no ambiente para antecipar as ações dos atacantes.
3. Prioritization (Priorização) – Focar nos pontos que podem ser realisticamente explorados e demandam correção.
4. Validation (Validação) – Testar hipóteses por meio de simulações controladas e seguras.
5. Mobilization (Mobilização) – Promover a remediação e as melhorias com base em evidências.
Benefícios reais do CTEM
CTEM oferece uma gestão de exposições orientada por risco, integrando processos e ferramentas como avaliação e gestão de vulnerabilidades, gerenciamento da superfície de ataque, testes e simulações.
O diferencial está em unificar avaliação e validação das exposições, permitindo que os times de segurança documentem e reportem o impacto potencial na redução do risco cibernético.
Embora exista um vasto arsenal tecnológico disponível, a sobreposição de ferramentas gera silos que dificultam uma visão integrada.
CTEM rompe esse paradigma ao propor uma visão unificada de ataques, vulnerabilidades e superfícies de ataque, focando na exposição realmente explorável para reduzir o risco global.
O papel da Threat Intelligence no CTEM
Ano após ano, milhares de vulnerabilidades são reportadas — mais de 40 mil em 2024 —, mas menos de 10% delas são efetivamente exploradas.
A Threat Intelligence ajuda a identificar quais são relevantes para sua organização, conectando vulnerabilidades a táticas, técnicas e procedimentos (TTPs) usados em campanhas ativas.
Mais do que um diferencial, a inteligência em ameaças tornou-se essencial.
Ela permite definir os Priority Intelligence Requirements (PIRs), ou seja, o contexto e o panorama de ameaças mais relevantes para o ambiente específico.
Assim, a remediação foca no que representa risco real, e não apenas nas vulnerabilidades possíveis teoricamente.
Uma pergunta fundamental para o time de inteligência é: estamos aproveitando ao máximo os dados coletados? Esse é o primeiro passo para melhorias significativas.
Redução de riscos baseada em validação
A Threat Intelligence priorizada deve ser seguida de testes e validações que avaliem o desempenho dos controles de segurança diante dos ataques mais prováveis, considerando seu impacto na organização.
Vale lembrar que o programa de validação deve abranger não só tecnologia, mas também processos e pessoas.
Um endpoint detection and response (EDR), SIEM ou WAF bem configurado pode oferecer proteção limitada se os fluxos de trabalho para incidentes forem confusos, os playbooks estiverem desatualizados ou as rotas de escalonamento falharem sob pressão.
Por isso, ferramentas como breach & attack simulation, tabletop exercises e pentests automatizados vêm convergindo para o conceito de Adversarial Exposure Validation (AEV).
Evitando o discurso vazio
CTEM não é um produto, mas uma estratégia com métricas orientadas a resultados.
Sua implementação não é responsabilidade de um único time e demanda liderança para quebrar silos e otimizar fluxos entre equipes.
Comece definindo o escopo do programa de gestão de exposição, respondendo a perguntas como:
- Quais são os principais riscos de negócio que a cibersegurança pode influenciar diretamente?
- Qual ambiente (on-premises, cloud, IT/OT, subsidiárias) e quais tipos de ativos (críticos, endpoints, sistemas de identidade, repositórios de dados) estão incluídos?
- Temos um inventário preciso desses ativos?
- Quais atores de ameaça e métodos de ataque são mais relevantes para nosso setor e stack tecnológico?
- Como incorporar ameaças conhecidas e dados de incidentes na definição do escopo?
- Como definiremos “exposição crítica” (considerando exploitability, impacto nos negócios, sensibilidade dos dados, blast radius)?
- Conseguimos validar atualmente ferramentas, processos e pessoas?
- Qual é nossa capacidade inicial para remediar problemas dentro desse escopo (pessoas, ferramentas, SLAs)?
Essas perguntas ajudam a construir um CTEM alinhado ao risco e realista, evitando esforços amplos demais e difíceis de gerenciar.
Conclusão
CTEM funciona quando responde com evidências às perguntas essenciais para a segurança:
- O que pode nos prejudicar?
- Como isso poderia ocorrer?
- Podemos impedir?
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