Cisco corrige nova falha zero-day no Secure Email Gateway explorada em ataques
19 de Outubro de 2026

A Cisco lançou um patch para corrigir outra vulnerabilidade zero-day explorada ativamente no Secure Email Gateway (SEG), que permite a invasores remotos não autenticados executar comandos com privilégios de root.

Identificada como CVE-2026-76519 , a vulnerabilidade é causada por uma falha de path traversal no recurso Advanced Malware Protection (AMP) do SEG, decorrente do tratamento inadequado de anexos de e-mail. Invasores podem explorar o problema enviando uma mensagem com um anexo malicioso especialmente preparado a um dispositivo sem o patch.

“Uma exploração bem-sucedida pode permitir que o invasor grave arquivos arbitrários e execute comandos com privilégios de root no sistema operacional subjacente”, informou a Cisco em um comunicado publicado na quarta-feira. “Em outubro de 2026, o Cisco PSIRT tomou conhecimento da exploração ativa dessa vulnerabilidade.”

A CVE-2026-76519 afeta instâncias do SEG em que o serviço File Reputation está ativado e associado a uma política de e-mail, e que executam uma versão do Content Scanner Tools anterior à 25.3.0.5525.

Para verificar se um dispositivo está vulnerável, os administradores devem usar o comando contentscannerstatus na CLI e conferir a versão do Content Scanner Tools em execução. Também devem verificar se a opção “Enable File Reputation” está marcada na interface de gerenciamento pela web, em Mail Policies > Incoming Mail Policies > Advanced Malware Protection ou Mail Policies > Outgoing Mail Policies > Advanced Malware Protection.

A Cisco não divulgou mais detalhes sobre os ataques que exploram a CVE-2026-76519 , mas publicou os indicadores de comprometimento (IoCs) em uma tabela.

A empresa também recomendou que os clientes verifiquem os logs do firewall e da rede em busca de sinais de atividade suspeita, incluindo downloads e envios de dados de e para endereços IP externos ou suspeitos. Segundo a Cisco, os invasores podem apagar evidências da exploração depois de obter a capacidade de executar comandos com privilégios de root nos sistemas vulneráveis.

A empresa acrescentou que já aplicou medidas de mitigação em instâncias na nuvem e entrou em contato com os proprietários de dispositivos Cisco Secure Email Cloud nos quais identificou indícios de possível comprometimento.

“A Cisco recomenda fortemente que os clientes contatados restabeleçam uma configuração segura no dispositivo, renovando as credenciais e quaisquer materiais criptográficos instalados no equipamento, quando possível. A empresa também recomenda restringir o acesso ao dispositivo e implementar mecanismos robustos de controle de acesso”, informou a Cisco.

A Shadowserver, entidade que monitora a segurança na internet, acompanha quase 300 instâncias do Cisco Secure Email Gateway expostas on-line, mas não informa quantas são honeypots ou já foram protegidas.

Em julho de 2024, a Cisco corrigiu outra vulnerabilidade crítica no SEG, a CVE-2024-20401 . A falha permite que invasores adicionem usuários com privilégios de root ou provoquem a interrupção permanente dos dispositivos por meio de e-mails com anexos maliciosos.

Em janeiro, a empresa lançou um patch para corrigir uma falha de gravidade máxima no Cisco AsyncOS, identificada como CVE-2025-20393 . Invasores exploram a vulnerabilidade em ataques zero-day contra dispositivos SEG e Secure Email and Web Manager (SEWM) desde novembro de 2025.

Mais recentemente, no mês passado, a Cisco alertou os clientes para aplicarem um patch a uma nova vulnerabilidade zero-day no SEG, a CVE-2026-76461 . A falha está no processamento de e-mails do Cisco AsyncOS Software e também permite que invasores remotos não autenticados executem comandos arbitrários com privilégios de root no sistema operacional subjacente.

Desde novembro de 2021, a Cybersecurity and Infrastructure Security Agency (CISA) incluiu 100 vulnerabilidades da Cisco em seu catálogo de vulnerabilidades conhecidas como exploradas. Sete delas foram usadas em ataques de ransomware.

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