Backdoor furtivo Mistic é associado ao broker de acesso do ransomware KongTuke
24 de Junho de 2026

Um novo backdoor, batizado de Mistic, foi identificado em ataques motivados financeiramente contra organizações dos setores de seguros, educação, tecnologia da informação e serviços profissionais.

Acredita-se que o malware tenha relação com o grupo KongTuke/Woodgnat, um broker de acesso inicial ativo ao menos desde 2024 e especializado em comprometer redes corporativas para depois vender esse acesso a grupos de ransomware, entre eles Qilin, Interlock, Rhysida, Akira, 8Base e Black Basta.

Pesquisadores da Symantec afirmam que o Mistic vem sendo usado em invasões desde abril.

Em pelo menos um incidente, ele foi implantado pouco depois do ModeloRAT, outro backdoor atribuído ao KongTuke e distribuído por meio de ataques de engenharia social no Microsoft Teams.

Segundo a Symantec, o Mistic é um backdoor desenvolvido recentemente, furtivo e projetado para garantir persistência de longo prazo em redes comprometidas.

Nos ataques analisados, a infecção começou com a execução do arquivo legítimo MpExtMs.exe, usado para carregar lateralmente uma DLL maliciosa chamada version.dll, que atua como loader do Mistic, identificado como EndpointDlp.dll.

Os pesquisadores observam que o nome escolhido para o Mistic lembra ferramentas legítimas de segurança de endpoint da Microsoft, o que pode ajudar o malware a se misturar ao software confiável presente no host.

Outra DLL em .NET também é carregada e exibe à vítima uma tela falsa de login para roubar suas credenciais de conta.

Depois de carregado, o Mistic se comunica com sua infraestrutura de comando e controle e pode receber instruções do operador.

A Symantec lista as seguintes capacidades:

Fazer upload e download de arquivos, além de mover, renomear, excluir arquivos e criar pastas
Modificar com que frequência o Mistic verifica se há comandos no servidor de comando e controle, o C2
Executar diretamente na memória o código recebido do C2
Encerrar a própria execução e excluir arquivos do host

De acordo com a análise da Symantec, o Mistic parece ter sido projetado para operar de forma discreta, permitindo que invasores mantenham acesso persistente a redes comprometidas por longos períodos.

“O backdoor executa payloads na memória, sem gravar arquivos em disco, e inclui um mecanismo de desligamento que permite sua própria remoção, características compatíveis com um operador que busca acesso de longo prazo e baixa visibilidade”, afirmaram os pesquisadores.

A Symantec não detalha como a infecção começa, mas o KongTuke já é conhecido por usar, desde o início de 2025, o ClickFix e suas variantes FileFix e CrashFix para distribuir o malware ModeloRAT.

Em um relatório técnico divulgado nesta semana, a Zscaler afirma que o Mistic, que ela acompanha sob o nome MTLBackdoor, foi entregue como payload em uma cadeia de infecção multietapas do ClickFix em maio.

Os pesquisadores da Zscaler dizem que “um dos recursos mais poderosos [do MTLBackdoor] é a capacidade de carregar Beacon Object Files (BOFs) para ampliar suas funcionalidades”.

Os BOFs são pequenos programas em C que podem ser executados diretamente na memória de um processo de comando e controle, sem deixar rastros em disco e evitando a detecção por agentes de segurança.

Eles são comuns em ferramentas de red team, como o Cobalt Strike, na fase pós-exploração.

A Symantec avalia que o Mistic confirma a tendência observada de uso de ferramentas personalizadas em ataques de ransomware, embora o backdoor pareça ter sido desenvolvido por um broker de acesso inicial com forte ligação com o cenário de ransomware.

O KongTuke é conhecido por usar outras ferramentas, como os runtimes legítimos WinPython e Node.js para executar código malicioso, o finger.exe para recuperar payloads ofuscados, a falsa extensão de navegador NexShield, o payload .NET criptografado GateKeeper e os loaders de malware MintsLoader e D3F@ck Loader para entregar novos payloads.

Tanto os relatórios da Zscaler quanto da Symantec trazem indicadores de comprometimento do malware Mistic/MTLBackdoor e destacam que ele é uma ferramenta furtiva, capaz de ampliar suas funcionalidades.

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