Ataque de phishing no WhatsApp usa documentos falsos de empresas para invadir PCs
23 de Junho de 2026

Uma campanha de malware em andamento está mirando usuários do WhatsApp em vários países com mensagens enganosas que induzem ao download de arquivos VBScript e levam ao acesso remoto ao sistema.

O threat actor usa nomes de arquivos que sugerem documentos empresariais e financeiros enviados por contatos da própria vítima, cujas contas haviam sido comprometidas.

Ao baixar e executar os anexos maliciosos, o destinatário inicia uma cadeia de infecção que termina com a instalação do legítimo ManageEngine Endpoint Central, software usado por administradores de TI para gerenciar sistemas a partir de um painel centralizado.

Dados de telemetria da empresa de cibersegurança Kaspersky mostram que a campanha se espalha por Brasil, Índia, México, Singapura, Reino Unido, Espanha, Taiwan, Austrália, Rússia, Vietnã e Malásia.

A Kaspersky informa que os ataques começam com mensagens enviadas a partir de contas comprometidas que contêm apenas um arquivo VBS fortemente ofuscado.

Esses arquivos recebem nomes que os fazem parecer relatórios financeiros, extratos de cobrança, avisos de conta e documentos semelhantes, provavelmente criados para chamar a atenção da vítima e levá-la a abrir o arquivo.

Os nomes dos arquivos também aparecem localizados em vários idiomas, o que reforça o alcance global da campanha.

“Com base nas evidências coletadas de várias vítimas por meio de relatos em redes sociais e amostras enviadas, a Kaspersky concluiu que o threat actor obteve acesso a várias contas do WhatsApp e as usou para distribuir os arquivos maliciosos VBScript aos contatos presentes nas listas de contatos das contas comprometidas”, afirma a empresa.

“No momento em que este texto é escrito, o método exato usado para comprometer essas contas do WhatsApp ainda é desconhecido.”

Se a vítima baixar e abrir o arquivo em um sistema Windows, o VBScript busca dois scripts adicionais na infraestrutura do invasor, que por sua vez desativam as proteções do UAC por meio de modificações no Registro e baixam um arquivo ZIP contendo o programa ManageEngine Endpoint Central.

O software é instalado silenciosamente em segundo plano e configurado para se conectar a servidores de gerenciamento controlados pelo atacante, o que lhes dá acesso de administração remota ao computador da vítima.

A Kaspersky observa que, quando o arquivo VBScript inicial é entregue via WhatsApp Web, ele precisa ser baixado.

Já no cliente WhatsApp Desktop, o arquivo pode ser executado diretamente pelo Windows Script Host, por meio do wscript.exe.

Embora a Kaspersky não atribua os ataques a um threat actor específico, os pesquisadores encontraram sinais de uso do idioma chinês e sobreposição de infraestrutura com IPs previamente associados à atividade do ValleyRAT e do Gh0st RAT.

Ainda assim, não há evidências suficientes para uma atribuição com alto grau de confiança.

Usuários do WhatsApp são orientados a tratar com cautela arquivos enviados por contatos, mesmo por pessoas de confiança, e a sempre verificar esses anexos por outros meios antes de abri-los.

Todos os arquivos baixados devem ser verificados com um antivírus atualizado antes de qualquer execução.

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