Apps voltados a tropas dos EUA trazem código chinês e russo oculto
29 de Julho de 2026

Uma análise recente de centenas de aplicativos móveis voltados a militares dos Estados Unidos constatou que mais de um em cada oito continha software desenvolvido por empresas da China, da Rússia ou de outros países, reacendendo preocupações de que governos adversários possam coletar dados capazes de revelar onde militares vivem, trabalham e são deslocados.

Segundo pesquisadores da Universidade Purdue, da Academia Militar dos EUA em West Point e da Universidade Internacional da Flórida, um aplicativo popular usado por militares para avaliar as condições de moradia em suas próprias bases inclui código da Huawei, a gigante chinesa de telecomunicações que reguladores norte-americanos classificaram como ameaça à segurança nacional em 2020.

Outros dois foram desenvolvidos por empresas russas e incorporam o serviço de anúncios Yandex, da Rússia.

A indústria de publicidade digital, em grande parte desregulada, acompanha os americanos online e trata civis e militares de forma semelhante, a menos que haja lucro em diferenciá-los.

Ainda assim, há evidências de que essa exposição pode revelar deslocamentos de tropas, movimentações de unidades e rotinas de pessoal em instalações de inteligência e abrigos reforçados onde se acredita haver armas nucleares armazenadas.

Investigações anteriores já mostraram que dados de localização coletados por aplicativos comuns rastrearam militares dos EUA até suas casas, escolas dos filhos e estabelecimentos fora da base, onde os militares não podem ser vistos.

Especialistas alertam que os mesmos dados podem ajudar espiões estrangeiros a identificar pessoal com acesso a locais sensíveis, mapear os momentos em que uma instalação está menos protegida ou expor outros detalhes comprometores.

O risco já não é hipotético.

Em abril, o Comando Central dos EUA reconheceu, em carta ao senador Ron Wyden, que havia recebido vários relatórios de ameaças indicando que adversários exploravam dados comerciais de localização para atingir ou monitorar militares americanos no Oriente Médio, onde as forças dos EUA seguem em confronto com o Exército iraniano pelo estreito de Ormuz.

Legisladores chamaram isso de primeira confirmação oficial de que tropas em uma zona de guerra ativa estavam sendo caçadas por meio da economia de corretores de dados, uma ameaça sobre a qual contratados e pesquisadores do próprio Pentágono alertavam havia quase uma década.

O novo estudo faz um primeiro retrato de uma parte dessa exposição: o que realmente está dentro dos aplicativos criados e vendidos especificamente para o público militar.

“Somos gratos pela oportunidade de chamar mais atenção para essas questões”, disse Joshua Shinkle, pesquisador de doutorado da Universidade Purdue e autor principal do estudo.

“Esperamos que a pesquisa ajude militares, desenvolvedores e plataformas a tomar decisões de privacidade mais informadas e incentive a continuidade do debate com desenvolvedores, plataformas e formuladores de políticas sobre como enfrentar essas lacunas.”

Os pesquisadores analisaram mais de 220 aplicativos desse tipo, de guias de uniforme e preparação para exames de promoção a apps bancários e de namoro, obtidos na Google Play Store e em fóruns militares no Reddit.

Quase dois terços, ou 64%, continham código de terceiros, conhecido como SDKs.

São componentes de software prontos, normalmente usados para análise e publicidade, mas que também podem rastrear o comportamento dos usuários, inclusive sua localização, e compartilhar essas informações com empresas externas.

O estudo também constatou que 40% dos aplicativos coletavam ou compartilhavam mais dados do que informavam nas descrições publicadas na Google Play ou na App Store da Apple.

Os SDKs mais comuns vieram do Google e da Facebook, as duas empresas que dominam a publicidade digital nos EUA.

Mas, no total, foram identificados 76 SDKs, incluindo código rastreado até a China, Rússia, Israel, Índia, Alemanha e outros países.

Cerca de 7% dos aplicativos continham código de terceiros de uma nação considerada adversária pelo Pentágono.

Doze aplicativos continham o HMS Core, um kit de software da Huawei que anuncia a capacidade de mapear a localização dos usuários, exibir anúncios e armazenar imagens e vídeos.

Vários foram desenvolvidos para organizações da Guarda Nacional estadual.

Os pesquisadores não observaram dados sendo enviados para servidores da Huawei.

Mas um SDK pode ser atualizado remotamente a qualquer momento.

Código que hoje está inativo pode se tornar spyware amanhã.

Em pelo menos um caso, segundo o estudo, o código da Huawei chegou sem o conhecimento do desenvolvedor do aplicativo, inserido como dependência em uma ferramenta comercial de notificações.

Publicidade

Proteja sua empresa contra hackers através de um Pentest

Tenha acesso aos melhores hackers éticos do mercado através de um serviço personalizado, especializado e adaptado para o seu negócio. Guardsi: qualidade, confiança e especialidade em segurança ofensiva de quem já protegeu centenas de empresas. Saiba mais...