Poucas pessoas conhecem melhor a atual epidemia de deepfakes do que Jess Asato. A deputada trabalhista britânica passou anos fazendo campanha contra o uso dessa tecnologia para abusar de mulheres e meninas. Mas, depois de criticar Elon Musk durante o notório escândalo envolvendo deepfakes criados pelo Grok, em 2025, Asato se viu no centro da crise que tentava impedir.
Imagens perturbadoras e degradantes da deputada, criadas com deepfake, circularam amplamente. Uma delas parecia retratar uma agressão sexual. Quando denunciou as imagens ao X, a plataforma rejeitou repetidamente suas denúncias. Então, ela decidiu levar a disputa aos tribunais. Agora, processa a xAI, empresa de Elon Musk, alegando que a companhia usou sua imagem ilegalmente e sem consentimento. O caso pode ajudar a estabelecer um precedente para responsabilizar empresas de IA pelos danos causados por seus produtos.
Para Asato, o caso é pessoal, mas o tema não é novo. Antes de entrar no Parlamento, ela passou anos trabalhando com instituições de caridade que apoiam sobreviventes de violência doméstica e crianças em situação de vulnerabilidade. Essa experiência moldou sua trajetória política e orientou sua luta por proteções mais fortes para mulheres e crianças na internet. Agora, ela enfrenta questões ainda mais preocupantes: o que acontece quando a tecnologia que permite o abuso se torna onipresente, as plataformas que o hospedam se recusam a agir e as pessoas visadas são deixadas para se defender sozinhas?
Para Asato, está em jogo mais do que o uso indevido de uma única imagem. A questão é se o consentimento ainda tem algum significado quando a IA pode fabricar praticamente qualquer coisa e se as empresas que desenvolvem essas ferramentas podem ser responsabilizadas pelo que elas fazem. Asato aposta que a lei pode acompanhar o ritmo da tecnologia e está disposta a enfrentar Musk para descobrir. Até a publicação da reportagem da WIRED, a xAI não havia respondido ao pedido de comentário.
Esta entrevista menciona agressão sexual e abuso sexual infantil.
A entrevista foi editada para ficar mais curta e clara.
ROSIE SWASH: Jess, gostaria de começar com algumas perguntas iniciais. Conte um pouco sobre sua trajetória. Como você se tornou deputada por Lowestoft?
JESS ASATO: Claro. Cresci em East Anglia, entre Norfolk e Suffolk, em uma família que não era muito ligada à política. Meu interesse pela política surgiu em 1997, quando Tony Blair falava sobre educação, educação e educação. Como eu mesma passei pelo sistema educacional, sentia que era possível fazer muito melhor. Então, entrei no Partido Trabalhista e comecei a participar dos grupos locais.
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