Um cidadão ucraniano foi condenado a 70 meses de prisão por participar de ataques de ransomware realizados pelos grupos Nefilim e Hive contra hospitais, órgãos públicos e empresas de grande porte em todo o mundo, entre 2018 e 2021.
A sentença foi proferida após a extradição de Artem Aleksandrovych Stryzhak para os Estados Unidos, em 30 de abril de 2025. Ele havia sido preso na Espanha em junho de 2024.
“Artem Stryzhak é um criminoso cibernético prolífico que trabalhou com vários grupos de ransomware para atacar empresas e hospitais dos Estados Unidos”, afirmou Brett Leatherman, diretor de Operações da Divisão Cibernética do FBI. “Esses grupos interromperam o atendimento a pacientes e causaram prejuízos superiores a US$ 100 milhões. A sentença de hoje demonstra a gravidade dos crimes de Stryzhak e o alcance global do FBI, apoiado por uma ampla rede de parceiros internacionais.”
Segundo documentos judiciais, a partir de junho de 2021, Stryzhak concordou em repassar 20% dos valores de resgate recebidos em troca do acesso ao ransomware personalizado Nefilim e às chaves de descriptografia.
Stryzhak atuou como afiliado do Nefilim até outubro de 2021. Nesse período, usou o malware personalizado para atacar grandes empresas dos Estados Unidos, do Canadá e da Austrália, cada uma com receita anual superior a US$ 100 milhões. Mais tarde, um dos administradores do Nefilim o incentivou a concentrar os ataques em empresas com receita anual acima de US$ 200 milhões.
Para pressionar as vítimas a pagar, os operadores do ransomware também ameaçavam divulgar os dados roubados nos ataques em sites da dark web chamados “Corporate Leaks”, administrados pelo grupo Nefilim.
Stryzhak também foi um dos primeiros afiliados do ransomware Hive. Durante a pandemia de COVID-19, ele invadiu e criptografou os sistemas de sete vítimas, entre elas um consultório odontológico, vários escritórios de advocacia e um prestador de serviços de saúde.
Em dezembro de 2025, Stryzhak se declarou culpado e admitiu participação em uma conspiração para cometer fraude informática. As acusações apresentadas por promotores dos Estados Unidos estão relacionadas a ataques de ransomware contra empresas nos Estados Unidos, na Noruega, na França, na Suíça, na Alemanha e nos Países Baixos.
“Desarticular um grupo de ransomware que atacou cerca de 1.500 vítimas em todo o mundo e condenar um réu que teve como alvo o setor de saúde durante a pandemia de COVID-19 são resultados muito importantes para esta promotoria”, afirmou o procurador dos Estados Unidos Gregory W. Kehoe.
“Os ataques de ransomware cometidos pelo réu causaram enorme destruição. Prejudicaram empresas que gastaram milhões de dólares com recuperação e pagamento de resgates, impediram hospitais e outras instalações essenciais de acessar dados e colocaram informações confidenciais nas mãos de agentes mal-intencionados”, afirmou o procurador dos Estados Unidos Joseph Nocella Jr.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos também oferece uma recompensa de até US$ 11 milhões por informações que possam levar à prisão do cidadão ucraniano Volodymyr Tymoshchuk, apontado como um dos supostos cúmplices de Stryzhak. Ele continua foragido.
Tymoshchuk está nas listas de mais procurados da União Europeia e do FBI. Em setembro, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos o acusou de atuar como administrador dos grupos de ransomware LockerGoga, MegaCortex e Nefilim. Ele também teria participado de ataques de ransomware que causaram prejuízos de milhões de dólares a centenas de empresas em todo o mundo, entre julho de 2020 e outubro de 2021.
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