O que significa ser um Hacker?

Conhecimento torna uma pessoa um Hacker
Analogia a busca e transmissão de conhecimento, conceitos chaves para um Hacker

A Palavra Hacker pode ser caracterizada de várias formas. A príncipio, sua derivação “hack” contém 28 definições, segundo o dicionário online¹ da Língua Inglesa, tais como “Corte grosseiro” ou “Tosse grosseira”. Em Português, já abrasileiramos a palavra, e ela se aplica como Verbo, sujeito, adjetivo, ação e afins. Como verbo, é conjugada assim como qualquer outro verbo regular, Eu Hackeo, Tu Hackeas, Ele Hackeia, Nós Hackeamos, Vós Hackeais, Eles Hackearam, podendo também ser flexionados em outros modos,tempo, aspectos e voz verbal. O sujeito, nada mais, nada menos do que o Hacker, aquele que pratica a ação de invadir sistemas, descobrir falhas de seguranças, ao menos na visão geral, o que no meu ver é um grande engano. Quando usada como adjetivo, é um elogio, referindo como pessoa capaz de de praticar ações que poucos conseguem, indica grande capacidade e inteligência, ou indica uma atribuição como Pessoa de má índole, que utiliza de brechas para tirar vantagem.

Quando falamos de Hacker, já logo relacionamos a grupos como Anonymous, ou invasões a grandes websites, quebrar senhas, fazer vírus e atividades correlatas no segmento de quebra à Segurança da Informação. Definições baseadas no senso comum, que vai se tornando um viés de confirmação. Mas na verdade o sentido de Hacker está longe de ser isso, nem ao menos pode ser caracterizado diretamente com a Tecnologia ou Segurança da Informação. A origem da palavra Hacker, até onde se sabe, vem da década de 50, um grupo conhecido como PST no Tech Model RailRoad Club (TMRC) no Massachusetts Institute of Technology (MIT) que realizavam ajustes pontuais em suas atividades de modelações ferroviárias definem Hacker/Hack como: alguém que aplica engenhosidade para criar um resultado inteligente, chamado “hack”. A essência de um “hack” é que ele é feito rapidamente e geralmente é inelegante. Ele cumpre o objetivo desejado sem alterar o design do sistema em que está incorporado. Apesar de muitas vezes estar em desacordo com o design do sistema maior, um hack geralmente é bastante inteligente e eficaz². Ainda no MIT, na década de 60, eles postulavam que existia dois tipos de definições, “tools” e “hackers”, enquanto os “ferramentas” (em tradução livre) eram alunos que iam em todas as aulas e frequentavam com frequência bibliotecas o “hacker” é o oposto, estudantes que não iam para as aulas e dormiam o dia inteiro e a noite procuravam buscavam atividade recreativas – É o que diz Brian Harvey em O que é o hacker?³. Foi somente através da expansão da internet e de dispositivos eletrônicos que a cultura do hacker ligado a computadores e invasões começou a se disseminar. O cinema contribuiu com essa imagem, em 1983 lançou-se o filme Jogos de Guerra, que em parte retrata a figura do hacker para ganhar vantagem praticando atividades ilícitas. A partir daí, surgiram muitos outros filmes e documentários, generalizando o termo para um sentido oposto ao seu real significado.

É importante frisar e ressaltar: Hacker não é um criminoso, não é uma pessoa má. Hackear não é uma atividade ilícita, muito pelo contrário. O Hacker, em essência, possui valores, é uma pessoa ética. Ele busca o conhecimento, independente da área, ele vive para isso. Não se satisfaz com o básico, e procura até encontrar tudo aquilo que quer saber. O hacker é inovador, consegue solucionar problemas, mesmo que demande muita pesquisa. Consegue criar onde muitos não vêem saída. O hacker é inteligente, não necessariamente sabe de tudo, mas sabe o necessário e sabe como encontrar aquilo que precisa. O hacker é cooperativista, ele não se contenta em guardar o conhecimento só para ele, transmite para todos que querem. Um estudante pode ser um Hacker, assim como um professor, médico, programador, advogado, qualquer um, em qualquer profissão pode ser um hacker, desde que siga os princípios de busca e transmissão de conhecimento, sempre de acordo com a ética. Ser hacker não é um privilégio daqueles que entendem de códigos e programas de computador.

Descobrir uma falha de segurança e avisar o responsável é um “hack” (sim, você pode cobrar legalmente por esse serviço), preparar e dar uma aula sobre um determinado tema é um “hack”, desenvolver um aplicativo utilizando de tecnologia inovadora é um “hack”, salvar uma vida através de um método muito complexo é um “hack”. São infinitos os exemplos.

Finalizo esse texto com uma parte do manifesto Hacker4, escrito por “The Mentor”, o trecho que destaco e reforça a ideia do que é ser Hacker é:

Yes, I am a criminal.  My crime is that of curiosity.  My crime is that of judging people by what they say and think, not what they look like. My crime is that of outsmarting you, something that you will never forgive me for.

(Sim, Eu sou um criminoso. Meu crime é minha curiosidade. Meu crise é julgar pessoas pelo que elas dizem e pensam, não pelo o que elas se parecem. Meu crime é superar você, algo pelo qual você nunca me perdoará.) – Em tradução livre.

Criatividade, Capacidade de discernimento (julgamento), superação, eis a essência de um Hacker.

A definição defendida neste texto é uma definição pessoal, baseada em pesquisas e concepções adquiridas ao longo do tempo,  de minha total responsabilidade, não significa que os demais colaboradores e administradores do CaveiraTech concordam com essa mesma linha de raciocínio.

¹ – http://www.dictionary.com/browse/hack?s=t
² – http://tmrc.mit.edu/hackers-ref.html
³ – https://people.eecs.berkeley.edu/~bh/hacker.html
4http://phrack.org/issues/7/3.html#article