Governo do Reino Unido revela inteligência artificial para detectar conteúdo terrorista online

O Reino Unido anunciou o desenvolvimento do novo software que promete detectar automaticamente conteúdo terrorista em qualquer plataforma online.

Desenvolvido pela Home Office e ASI Data Science, o governo se vangloriou de que o software detectou 94% da propaganda Daesh (Estado Islâmico do Iraque e do Levante) com 99% de precisão durante os testes, com um pequeno de número de videos sendo revisados pelo empregados caso o software ficasse confuso. A ferramenta pode ser usada por qualquer plataforma aonde os videos são revisados durante o processo de upload, com o objetivo de que ele seja capturado antes de atingir a internet.

“No ultimo ano nós estivemos engajados com companhias de internet para ter certeza de que suas plataformas não estão sendo abusadas por terrorista e seus apoiadores”, disse a ministra Amber Rudd. “Eu fiquei impressionada com o seu trabalho até agora, após o lançamento no Global Internet Forum to Counter-Terrorism (Fórum Global da Internet Contra o Terrorismo), entretanto ainda tem o que se fazer, e eu espero que essa nova tecnologia da Home Office possa ajudar os outros para irem mais longe e mais rápido.”

Com certeza é uma abordagem diferente de se trabalhar com a comunidade digital, na qual certamente será mais bem sucedida. Os últimos 12-18 meses diversos governos ao redor do mundo tentaram forçar a tecnologia industrial se curvar à sua vontade, até mesmo quando as ideias do governo causavam prejuízos aos usuários. Uma abordagem colaborativa como essa, ajudando as empresas de tecnologia, em oposição a discutir amargamente com elas, é uma ideia que não esperávamos.

O que nós não tínhamos certeza é sobre a efetividade dessa tecnologia. Sim, testes provaram que ela funciona mas nós não achamos que vai demorar muito para os opositores encontrarem um jeito de contorna-lá. O sucesso da tecnologia depende de como será adotado pelos gigantes da internet. O Reino Unido poderia ter produzido uma boa tecnologia, mas os engenheiros trabalhando para os gostos do Facebook, Google ou Twitter por exemplo, serão mais espertos. Eles podem pegar uma boa ideia e transformar em uma ferramenta proativa de inteligência artificial e incrivelmente resiliente.

Talvez essas sejam as discussões que acontecerão nos próximos dois dias em que Rudd visita o Vale do Silício. Rudd é tradicionalmente combativa, agressiva e hipócrita quando se trata de tecnologia industrial. Vamos torcer para que ela possa pôr seu ego de lado nessas conversas. O governo do Reino Unido não poderá abordar o aumento do discurso de ódio e propaganda terrorista por conta própria – Trabalhar com a indústria de tecnologia é fundamental.

O que talvez poderia ser interessante para a história seria se Rudd forçasse os gigante da tecnologia a dotar a tecnologia por lei. Tecnólogos e inovadores geralmente são protetores de suas plataformas e serem forçados a fazer algo pela legislação pode irritar as empresas de tecnologia. Em primeira instância, a tecnologia vai ser usada por companhias pequenas como Vimeo, Telegraph and pCloud, mas surpreenderia muito se o governo procurasse forçar os jogadores maiores a entrarem no jogo.

Embora tenha sido usada para marcar pontos políticos e causar medo no passado, a ameaça da propaganda extremista online é real. O Reino Unido identificou 400 plataformas onlines únicas nas quais foram usadas para expôr material venenoso em 2017, enquanto 145 novas plataformas foram criadas desde julho até o final do ano que não tinham sido usadas anteriormente.

O sucesso dessa tecnologia será definida em como pode ser melhorada no futuro. Em algum ponto, alguém vai descobrir um jeito de burlar, hackear ou manipular. O governo precisará de ajuda para desenvolver sua eficácia para o futuro. Nós torcemos para que Rudd tenha essa mentalidade quando estiver sentada com as empresas de tecnologia. Usar uma abordagem colaborativa poderia ser uma boa ideia. Forçá-los a fazer algo com o qual não estão felizes e as empresas de tecnologia podem se transformar em adolescentes obstinados.

Traduzido do site: Telecoms